PUBLICADO EM 18 de dez de 2017
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As “Fake News” são velhas armas de guerra, usadas largamente pelo nazismo

Embora a expressão Fake News pareça nova, um artigo da plataforma History News Network, publicado na revista Times, de dezembro de 2017, mostrou como as notícias falsas foram usadas largamente na máquina de propaganda nazista.

 

O artigo, assinado pelo professor de Comunicação na Universidade Queen Mary de Londres, Nicholas O’Shaughnessy, aponta que casos como impacto da propaganda Russa nas eleições dos Estados Unidos, com a criação de anúncios e contas falsas para disseminar visões polarizadoras em tópicos como imigração, raça e direitos dos gays, não são novidade. E que a importância das “fake news” em controlar a agenda da informação multimídia já era usado, com um efeito devastador, há mais de 80 anos atrás, pelo Terceiro Reich.

Para O’Shaughnessy, de Napoleão a Putin, muitos regimes usaram a propaganda como instrumento de governo. Mas sob o regime de Hitler a propaganda não era mero instrumento, e sim o próprio meio de governo.

A revista de fotos Signal, por exemplo, com um orçamento de $2 milhões, e uma circulação de 2,5 milhões em 23 países, foi fundado pelo chefe da Wehrmacht Propaganda Troops (conjunto das forças armadas da Alemanha durante o Terceiro Reich entre 1935 e 1945), coronel Hasso von Wedel. “Havia uma completa divisão de soldados de propaganda no Exército Alemão, e suas unidades PK. Cento e vinte homens fortes, especialistas em jornalismo, filmes e fotografia, poliam a frente alemã, recuperando imagens atraentes para transmitir ao redor do mundo com o estilo e pompa de Hollywood” revela o artigo.

A grande bateria de transmissores de rádio em Zeesen podia alcançar o mundo inteiro com canais de rádio feitos sob medida. Havia até uma Rádio Waziristão para a fronteira noroeste e estações de rádio clandestinas, visadas nas Ilhas Britânicas, como a Rádio Caledônia ou a estação Desafio do Trabalhador.

Como a cobertura da BBC da guerra era muito formal as pessoas eram atraídas por estes canais alternativos, que apresentava uma versão dos eventos “divertida, sarcástica e com escaldantes críticas da sociedade inglesa”.

Uma pesquisa da época mostrou que 58% dos ouvintes “achavam sua versão das notícias tanto fantásticas como divertidas”, caracterização que poderia perfeitamente descrever a média das notícias do Facebook.

Através do uso da propaganda, os nazistas também tinham a pretensão de alvejar os EUA. Mas, embora Goebbels tenha retido o renomado executivo de relações públicas, PR Ivy Lee, por $30.000, e uma falsa agência literária tenha sido criada para publicar livros e artigos, o apoio que conseguiram foi insignificante. “A pura dominação dos nazistas na guerra da informação, e o gosto pela propaganda deixavam a América nervosa”, afirma.

Em março de 1943 a revista Life, que, por sinal, servia de inspiração para a Signal admitiu que: “Havia um teatro da guerra onde os americanos não eram grandes o bastante, certos o suficiente ou inteligentes o suficiente para desafiar a superioridade do Eixo. Os Estados Unidos estavam ganhando ou perdendo a guerra das palavras? Ninguém em Washington sabia melhor que o Diretor Davis, do Escritório de Informação de Guerra (Office of War Information – OWI), que enquanto o país estava correndo com um carrinho de mão insignificante, os nazistas operavam uma superpoderosa máquina de propaganda. Basta ver os números: por ano A filial no exterior da OWI gastava apenas $ 26 milhões, e o nazista Dr. Goebbels, mestre em em inventar as fraudes e embustes, gastava entre um quarto e meio bilhões de dólares… eles tinham talento, experiência, fundos quase ilimitados e nenhum interesse pela honestidade”.

Mentiras e falsas notícias eram uma ferramenta chave para o Reich. Para os nazistas a opinião pública podia ser fabricada e a propaganda faria as pessoas acreditarem em qualquer coisa que o regime quisesse. Reichsmarshal Goering disse claramente para o Tribunal de Nuremberg: “seja uma democracia, uma ditadura fascista, um parlamento, uma ditadura comunista (…) as pessoas podem sempre ser trazidas ao comando dos líderes. Isso é fácil. Tudo o que você tem que fazer é dizer a elas que estão sendo atacados, anunciar os pacifistas e expor o país a perigo. Funciona assim em todos os países”.

Sua análise perversa tem respaldo na realidade. A própria Segunda Guerra Mundial começou com base em falsas notícias. o professor afirma que: “Não foi com a invasão da Polônia, mas com a fabricação de um incidente na fronteira, onde os corpos dos presos dos campos de concentração eram estufados com uniformes alemães, riscados com balas e colocados em volta da estação de rádio em Gleiwicz. “Era uma invasão da Polônia!”  A Alemanha nazista berrou para o mundo e Hitler intimidou o Reichstag prometendo devolver bomba por bomba”.

Na Alemanha nazista a desinformação e mentiras conscientemente organizadas eram uma estabelecida e bem integrada parte da metodologia de controle e poder. Hoje, a desinformação patrocinada é projetada para sabotar a noção objetiva da verdade. Assim como a doutrina Gerasimov (chamada assim por causa de seu inventor, o general russo Valery P. Gerasimov) postula que táticas encobertas como trabalhar através de representantes vai crescer em importância, a cyber interferência que supostamente ocorreu nas eleições americanas constitui uma velha e insidiosa forma de propaganda.

Fonte: Time.com “How the Nazi Propaganda Machine Used ‘Fake News'”

Tradução: Luciana Cristina Ruy

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