PUBLICADO EM 07 de out de 2026

Quando as ditaduras atacam os sindicatos

Entenda os riscos que os sindicatos enfrentam sob regimes autoritários. Quando as ditaduras atacam os sindicatos, a liberdade é ameaçada

Ditaduras atacam os sindicatos: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco sofre repressão policial na greve de 1968 sob ditadura militar no Brasil.

Ditaduras atacam os sindicatos: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco sofre repressão policial na greve de 1968 sob ditadura militar no Brasil.

A história oferece um alerta importante aos trabalhadores: regimes autoritários frequentemente procuram eliminar a organização sindical independente.

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Na Alemanha nazista, Hitler não tolerou sindicatos livres: em maio de 1933, suas sedes foram ocupadas, as entidades dissolvidas e seus bens confiscados. No lugar dos sindicatos independentes, o regime criou a Frente Alemã do Trabalho, submetida ao controle nazista. (Enciclopédia do Holocausto)

Na Itália fascista de Mussolini, a liberdade sindical também foi progressivamente suprimida e substituída por estruturas corporativas controladas pelo Estado.

A razão política é compreensível: sindicatos independentes representam trabalhadores organizados e constituem centros autônomos de poder social. Onde existe liberdade sindical, trabalhadores podem reivindicar salários, condições dignas, segurança e limites ao poder econômico. Onde essa liberdade desaparece, o trabalhador perde parte importante de sua capacidade coletiva de resistência.

Hitler e Mussolini compreenderam que controlar o mundo do trabalho era também uma maneira de controlar a sociedade. Por isso, o ataque aos sindicatos caminhou junto com a destruição de outras liberdades democráticas.

Não significa que toda crítica aos sindicatos seja autoritária — sindicatos podem e devem ser fiscalizados, renovados e criticados. Mas existe enorme diferença entre criticar uma entidade sindical e pretender retirar dos trabalhadores o direito de se organizar coletivamente.

A democracia pressupõe liberdade para empresários se organizarem e também liberdade para trabalhadores fazerem o mesmo. Quando o trabalhador fica sozinho diante do poder econômico, a relação naturalmente se torna mais desigual.

A experiência histórica de regimes autoritários mostra por que a liberdade sindical merece ser protegida. Trabalhador: antes de apoiar quem pretende enfraquecer sua organização coletiva, pergunte quem ficará mais forte quando você estiver sozinho.

César Augusto de Mello é Consultor Jurídico Sindical – OABSP 92.187

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