
O Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão)
Nenhum direito trabalhista deve ser tratado como favor. Por trás de cada conquista existem mobilização, organização sindical e trabalhadores que tiveram coragem de levantar a voz. É essa força coletiva que precisamos valorizar quando discutimos salários, condições de trabalho e uma pauta urgente para o Brasil: o fim da escala 6×1, com redução da jornada sem redução salarial.
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Trabalhar seis dias para descansar apenas um deixa pouco espaço para a vida. Na única folga, milhões de brasileiros precisam resolver tudo o que ficou pendente durante a semana. Falta tempo para acompanhar os filhos, estudar, cuidar da saúde e estar com a família. O descanso acaba espremido entre tarefas e preocupações, enquanto a próxima jornada já está batendo à porta.
Defender o fim dessa escala é defender dignidade. O desenvolvimento do país precisa ser medido também pela qualidade de vida de quem produz sua riqueza. Os ganhos de produtividade e os avanços tecnológicos devem se traduzir em benefícios concretos para os trabalhadores, inclusive mais tempo para viver.
O avanço dessa discussão no Congresso reforça a importância da pressão social. Mas precisamos manter a mobilização até que a mudança se transforme em direito efetivo. Não basta anunciar uma jornada menor se ela vier acompanhada de redução salarial, intensificação do trabalho ou mecanismos que esvaziem a conquista.
É nesse processo que a organização sindical faz a diferença. O sindicato reúne reivindicações, negocia, denuncia abusos e cobra respostas das empresas e dos poderes públicos. Na categoria eletricitária, sabemos o quanto essa atuação é necessária. Nossa atividade exige atenção, qualificação e segurança. Combater o excesso de trabalho e garantir descanso são compromissos com a proteção da vida.
Essa luta também passa pelas escolhas políticas. Eleger um presidente da República alinhado com o povo e com os trabalhadores é fundamental para abrir caminhos a novos avanços e enfrentar tentativas de retrocesso. Precisamos de um governo que respeite a Constituição, valorize o emprego formal, defenda a proteção trabalhista e reconheça os sindicatos como representantes legítimos da classe trabalhadora.
Esse compromisso deve ser avaliado por propostas, trajetória e atitudes. Quem pede o voto da população precisa explicar o que pretende fazer para melhorar salários, proteger direitos e construir relações de trabalho mais justas. Discurso de campanha deve ser acompanhado de responsabilidade e compromisso público.
Também precisamos olhar para o Congresso. Deputados e senadores decidem matérias que afetam diretamente nossa jornada, nossa renda e nosso futuro. A defesa dos direitos exige atenção a essas escolhas e cobrança permanente depois das eleições.
O movimento sindical deve preservar sua independência para apoiar avanços e enfrentar medidas prejudiciais, seja qual for o governo. Nosso compromisso é com os trabalhadores.
O Brasil precisa avançar. Queremos o fim da escala 6×1, redução da jornada sem redução salarial, empregos dignos e respeito à negociação coletiva. Para conquistar esse futuro, precisamos de sindicatos fortes, participação popular e representantes comprometidos com quem trabalha.
Direito se conquista com luta, se protege com organização e se defende também nas urnas.


