PUBLICADO EM 02 de ago de 2026

Anita Leocádia Prestes inaugura o “Encontros Culturais”, nova fase do programa do SinproSP

Conheça Anita Leocádia Prestes e sua trajetória marcante na história política brasileira, em Encontros Culturais.

Anita Leocádia Prestes, renomada historiadora e ativista, é a convidada da nova fase dos Encontros Culturais do SinproSP.

Anita Leocádia Prestes, renomada historiadora e ativista, é a convidada da nova fase dos Encontros Culturais do SinproSP.

O programa do SinproSP ganha uma nova identidade. A partir desta edição, o tradicional Encontros Literários passa a se chamar Encontros Culturais, ampliando seu espaço para reflexões sobre história, política, educação e as diversas manifestações da cultura brasileira.

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Para marcar essa nova etapa, o programa recebe a historiadora, professora e militante política Anita Leocádia Prestes, uma das mais importantes pesquisadoras da história política brasileira. Filha dos líderes comunistas Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, Anita nasceu em 27 de novembro de 1936 em uma prisão da Alemanha nazista. Sua trajetória pessoal se confunde com alguns dos episódios mais marcantes do século XX, incluindo o exílio, a perseguição política durante a ditadura civil-militar e a luta pela redemocratização do país.

Graduada em Química Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anita construiu sua carreira acadêmica nas Ciências Humanas. Exilada na União Soviética, concluiu o doutorado em Economia Política e, após retornar ao Brasil com a Lei da Anistia, em 1979, tornou-se livre-docente e professora adjunta de História do Brasil na UFRJ, dedicando-se à pesquisa e à preservação da memória histórica.

Memória, análise e reflexão

Ao longo de mais de uma hora de conversa, conduzida pelos diretores do SinproSP, Sandra Caballero e pelo professor Ailton Fernandes, Anita Leocádia revisita sua trajetória de vida, relembra acontecimentos decisivos da história política brasileira, analisa o legado de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário e compartilha reflexões sobre democracia, memória, direitos sociais e os desafios do Brasil contemporâneo.

Segundo ela, os últimos 35 anos, desde o fim da URSS, consiste um período curto do ponto de vista históric e ainda não houve condições para o comunismo se reorganizar com base no conhecimento da realidade e da teoria, como Lenin fez em 1917. Mas que isso é necessário uma vez que o capitalismo está gerando cada mais desigualdade. Enquanto não se conseguir, o fascismo vai avançar.

Ela diz que nas eleições de outubro, vai votar no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirma que, em sua visão, o presidente tem “limitações”. “A principal, eu acho, é que nem ele, nem o PT, em todo o tempo que esteve no poder, não tiveram preocupação nenhuma em organizar os trabalhadores, e a população. Ao contrário, contribuiu para desorganizar”, disse. Para ela, isso leva a uma despolitização da sociedade o que abre caminho para o fascismo avançar. Mas “Mais cedo ou mais tarde os trabalhadores vão lutar”.

Mais do que uma entrevista, o programa oferece um rico testemunho histórico, reunindo memória, análise e experiência de uma intelectual que dedicou sua vida à pesquisa, ao ensino e à defesa da democracia.

O Encontros Culturais foi gravado no Estúdio Mili. A produção é de Luma Jatobá, Ana Luisa Zaniboni Gomes e Fábia Renata, com edição de Rafael Vargas e João Bley.

Veja aqui o programa

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