PUBLICADO EM 08 de out de 2026

Colunista: Paulo Henrique Viana, Paulão

Feedback: avaliar também é respeitar

Feedback é uma avaliação mais ampla da atuação profissional. E, para ser justo, precisa estar baseado em fatos, dados e comportamentos observáveis — não em impressões pessoais, simpatias ou antipatias.

Paulo Viana, Paulão, presidente da FITIASP

Paulo Viana, Paulão, presidente da FITIASP

Há uma palavra que entrou definitivamente no vocabulário do mundo do trabalho: feedback. Nas empresas, fala-se muito em feedback como ferramenta de desenvolvimento profissional, melhoria de desempenho e crescimento na carreira. E, de fato, pode ser tudo isso. Mas existe uma questão fundamental: feedback não é simplesmente uma conversa, uma sugestão ou um conselho. É uma avaliação.

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E, justamente por ser uma avaliação, precisa ser tratado com responsabilidade.

O trabalhador não deveria descobrir, somente no momento de uma avaliação formal, que seu desempenho vinha sendo considerado insuficiente. Se existe acompanhamento permanente, as conversas sobre o trabalho precisam acontecer no cotidiano. O que foi bem-feito, o que precisa ser corrigido, quais dificuldades existem e o que pode ser aprimorado deveriam fazer parte da relação profissional.

Assim, o chamado feedback seria apenas a formalização de algo que já vem sendo construído — e discutido — ao longo do tempo.

Há também um erro bastante comum: confundir feedback com ajuste de tarefa.

Dizer ao trabalhador que determinada atividade precisa ser refeita não é, necessariamente, feedback. Feedback é uma avaliação mais ampla da atuação profissional. E, para ser justo, precisa estar baseado em fatos, dados e comportamentos observáveis — não em impressões pessoais, simpatias ou antipatias.

Porque avaliar alguém não significa procurar defeitos.

Significa identificar aquilo que pode ser melhorado para que o profissional possa avançar e, ao mesmo tempo, para que o próprio trabalho funcione melhor.

E aqui existe uma responsabilidade dos dois lados.

O gestor precisa entender que uma avaliação não pode ser utilizada para humilhar, constranger ou exercer poder sobre quem está abaixo na hierarquia. Da mesma forma, o trabalhador precisa ter espaço para ouvir, questionar, explicar dificuldades e também apresentar sua visão sobre aquilo que está sendo avaliado.

Feedback não pode ser monólogo.

Se existe avaliação, precisa existir diálogo.

Paulo Viana, Paulão, é presidente da FITASP

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