PUBLICADO EM 26 de out de 2026

Greve histórica da Metalúrgica Avibras será tema de livro

Livro contará a história dos trabalhadores da Avibras, que enfrentaram 1.280 dias de greve. Lançamento está previsto para fevereiro de 2027

Em fevereiro de 2027, um livro irá resgatar a Greve histórica da Avibras, destacando a luta dos metalúrgicos por direitos.

Em fevereiro de 2027, um livro irá resgatar a Greve histórica da Avibras, destacando a luta dos metalúrgicos por direitos.

Uma das maiores greves da história brasileira ganhará um livro que resgata a mobilização dos trabalhadores da Avibras, marcada por resistência, organização sindical e solidariedade.

A publicação, prevista para fevereiro de 2027, contará a trajetória da empresa e destacará os desafios enfrentados pelos metalúrgicos durante uma prolongada crise financeira e trabalhista.

Além disso, a obra resulta de parceria entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região e o Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese).

A Editora Sundermann publicará o livro, ainda sem título definido, reunindo acontecimentos desde a fundação da Avibras, em 1961, até os desdobramentos recentes da crise industrial.

Entretanto, o principal destaque será a greve de 1.280 dias, iniciada em setembro de 2022, quando trabalhadores enfrentaram atrasos salariais, dificuldades financeiras e ameaças constantes.

A mobilização terminou em março de 2026, após anos de assembleias, manifestações e negociações conduzidas pelo Sindicato, que defendeu empregos, salários e direitos dos metalúrgicos.

Trabalhadores serão protagonistas da publicação

A pesquisadora Ana Paula Santana, coordenadora do projeto pelo Ilaese, pretende apresentar os acontecimentos pela perspectiva dos trabalhadores, valorizando experiências pessoais e relatos da mobilização sindical.

Para isso, a pesquisadora entrevistou dirigentes sindicais e trabalhadores que participaram diretamente da greve, buscando compreender os impactos da crise sobre suas famílias e vidas.

Ana Paula também pretende investigar como os metalúrgicos conseguiram preservar a unidade durante anos de dificuldades e como essa experiência transformou suas relações com o trabalho.

Em declaração ao Sindicato, a pesquisadora destacou a importância de compreender as experiências vividas pelos trabalhadores durante uma das maiores mobilizações da história recente do país.

“Queremos compreender como tudo isso foi vivido por quem estava dentro da fábrica e precisou enfrentar as consequências da crise em sua vida cotidiana. O que significou continuar lutando mesmo diante de tantas dificuldades? Como os trabalhadores se organizaram? O que os fez permanecer unidos? Como a experiência da greve transformou a maneira como enxergam a empresa, o Sindicato, o trabalho e a própria vida?”, disse Ana Paula.

Livro também abordará desafios da indústria nacional

Além da trajetória sindical, o livro discutirá questões econômicas e políticas relacionadas à desindustrialização brasileira, à dependência tecnológica e à preservação da capacidade produtiva nacional estratégica.

Nesse contexto, a publicação também abordará a defesa da estatização da Avibras sob controle dos trabalhadores, proposta apresentada durante a mobilização pela sobrevivência da indústria brasileira.

Por fim, a iniciativa pretende preservar a memória coletiva dessa resistência, demonstrando como a organização sindical contribuiu para defender empregos, direitos trabalhistas e patrimônio industrial brasileiro.

“Queremos recuperar essa história porque, quando uma empresa como a Avibras entra em crise, não estamos falando apenas de números, dívidas ou dificuldades financeiras. Estamos falando também do risco de perder um patrimônio tecnológico e industrial construído durante gerações, com a participação decisiva dos trabalhadores”, conclui a pesquisadora.

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