
Ataque à democracia: eleitores denunciam falta de transporte em nove estados/Foto: Agência Brasil
A falta de ônibus e a redução de frotas dificultaram o acesso de eleitores às urnas neste domingo (25), segundo turno das eleições. Houve problemas em São Paulo, Salvador e outras cidades, apesar da obrigação de garantir transporte coletivo gratuito com frequência equivalente à dos dias úteis.
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Diante das dificuldades, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h. Posteriormente, esclareceu que a medida valeria apenas para as seções cujas urnas permaneciam abertas, preservando a apuração nas que já haviam encerrado os trabalhos.
O episódio provocou críticas à omissão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Segundo reportagem do Diário da Manhã, baseada em apuração da jornalista Natuza Nery, o pedido do PT para ampliar o horário chegou por volta das 13h30, mas permaneceu sem decisão até as 17h. A demora e as dificuldades de comunicação limitaram o alcance da prorrogação.
Centrais Sindicais criticam
Em nota divulgada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, sete centrais sindicais denunciaram a gravidade dos obstáculos ao voto.
“Trata-se de uma situação que fere a democracia e exige providências imediatas”, afirmaram as entidades.
O manifesto considera inadmissível que cidadãos sejam deliberadamente impedidos de votar e destaca que as falhas no transporte público contrariam determinação do STF. Além dos ônibus urbanos, as centrais mencionam denúncias de restrições em voos e barcas no rio Amazonas. As entidades cobram esclarecimentos, apuração das responsabilidades e medidas para garantir que nenhum eleitor seja prejudicado pela falta de transporte.
Assinam a nota Sérgio Nobre, da CUT; Miguel Torres, da Força Sindical; Ricardo Patah, da UGT; Adilson Araújo, da CTB; Sonia Zerino, da NCST; Antonio Neto, da CSB; e Antonio Gozze, da Pública.
Leia aqui a nota
Brasileiros não podem ser impedidos de exercer a cidadania
É inadmissível que, em uma democracia, em pleno século 21, cidadãos aptos a votar sejam impedidos de exercer seu direito de forma deliberada, tendenciosa e nefasta.
É o que, infelizmente, presenciamos neste 25 de outubro, dia do segundo turno da eleição presidencial, em diversas cidades do Brasil. Contrariando uma ordem do STF que determina que o transporte público em dia de eleição deve operar com 100% de sua capacidade, algumas cidades restringiram a frota, deixando milhares de eleitores nos pontos de ônibus, sem saber se conseguiriam chegar às urnas — e, em alguns casos, sem conseguir.
Além dos ônibus urbanos, há também denúncias de restrições inexplicáveis em outros meios de transporte, como voos e barcas no rio Amazonas.
Trata-se de uma situação que fere a democracia e exige providências imediatas.
Precisamos estar atentos e cobrar das autoridades e dos órgãos responsáveis pela fiscalização uma atuação efetiva.
Mais do que identificar responsabilidades entre as administrações estaduais e municipais, é necessário esclarecer as denúncias e garantir que nenhum eleitor seja prejudicado pela falta de transporte.
São Paulo, 25 de outubro de 2026.
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Antônio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)
Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor
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