Entidades de defesa das trabalhadoras domésticas intensificaram ações contra o assédio eleitoral, incentivando denúncias de ameaças, constrangimentos e tentativas de manipulação do voto nas eleições.
Além disso, a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e a organização Themis lançaram a campanha “Não passaremos pano”, para combater diferentes formas de violência laboral.
Campanha “Não passaremos pano”
A iniciativa denuncia situações de assédio sexual, moral, patrimonial e eleitoral enfrentadas pelas profissionais, especialmente dentro das residências, onde a fiscalização encontra maiores dificuldades institucionais.

Leandra Lacerda, secretária de Comunicação da Fenatrad, denuncia o assédio eleitoral contra trabalhadoras domésticas e reforça a importância do voto livre e secreto, sem ameaças ou pressões dos empregadores – Foto: Carol Bruzzone/ Divulgação
Leandra Lacerda, secretária de comunicação da Fenatrad, relatou experiências de pressão política exercida por empregadores e destacou a importância da organização coletiva das trabalhadoras domésticas.
“Eu trabalhava numa residência. E a empregadora gritava comigo (para votar em um candidato)”, denunciou a dirigente, ao recordar situações de assédio eleitoral vivenciadas.
Como reconhecer o assédio eleitoral
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o assédio eleitoral ocorre quando empregadores utilizam sua autoridade para intimidar trabalhadores, ameaçar demissões ou oferecer vantagens políticas indevidas.
O procurador Igor Sousa Gonçalves orienta as vítimas a guardar mensagens, áudios e outros registros que comprovem possíveis irregularidades, além de solicitar sigilo nas denúncias.
Leia também:
Sindec-POA orienta comerciários sobre direitos no dia da votação
Vulnerabilidade das trabalhadoras
Jéssica Miranda, diretora da Themis, alerta que o isolamento profissional e a dependência econômica ampliam os riscos de violência e constrangimento político enfrentados pelas domésticas.
“O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham”, afirmou a representante da organização de direitos humanos.
Denúncias e proteção dos direitos
Até quinta-feira (22), o MPT havia recebido aproximadamente 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral, número que poderá aumentar até domingo (25), quando ocorrerá a votação.
Por fim, as entidades reforçam que nenhuma trabalhadora deve sofrer ameaças por suas convicções políticas, destacando que a liberdade eleitoral constitui direito fundamental de todos.
Como denunciar: As vítimas podem registrar denúncias pelo site do Ministério Público do Trabalho ou presencialmente nas procuradorias. Também podem solicitar sigilo da identidade.
Leia também:
Ganhos reais nos salários avançam e devem superar 2025


