PUBLICADO EM 23 de out de 2026

Entidades incentivam domésticas a denunciar assédio eleitoral

Fenatrad e Themis promovem campanha contra o assédio eleitoral e orientam trabalhadoras domésticas sobre denúncias e proteção de direitos

Entidades de defesa das trabalhadoras domésticas intensificaram ações contra o assédio eleitoral, incentivando denúncias de ameaças, constrangimentos e tentativas de manipulação do voto nas eleições.

Além disso, a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e a organização Themis lançaram a campanha “Não passaremos pano”, para combater diferentes formas de violência laboral.

Campanha “Não passaremos pano”

A iniciativa denuncia situações de assédio sexual, moral, patrimonial e eleitoral enfrentadas pelas profissionais, especialmente dentro das residências, onde a fiscalização encontra maiores dificuldades institucionais.

Entidades incentivam domésticas a denunciar assédio eleitoral

Leandra Lacerda, secretária de Comunicação da Fenatrad, denuncia o assédio eleitoral contra trabalhadoras domésticas e reforça a importância do voto livre e secreto, sem ameaças ou pressões dos empregadores – Foto: Carol Bruzzone/ Divulgação

Leandra Lacerda, secretária de comunicação da Fenatrad, relatou experiências de pressão política exercida por empregadores e destacou a importância da organização coletiva das trabalhadoras domésticas.

“Eu trabalhava numa residência. E a empregadora gritava comigo (para votar em um candidato)”, denunciou a dirigente, ao recordar situações de assédio eleitoral vivenciadas.

Como reconhecer o assédio eleitoral

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o assédio eleitoral ocorre quando empregadores utilizam sua autoridade para intimidar trabalhadores, ameaçar demissões ou oferecer vantagens políticas indevidas.

O procurador Igor Sousa Gonçalves orienta as vítimas a guardar mensagens, áudios e outros registros que comprovem possíveis irregularidades, além de solicitar sigilo nas denúncias.

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Vulnerabilidade das trabalhadoras

Jéssica Miranda, diretora da Themis, alerta que o isolamento profissional e a dependência econômica ampliam os riscos de violência e constrangimento político enfrentados pelas domésticas.

“O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham”, afirmou a representante da organização de direitos humanos.

Denúncias e proteção dos direitos

Até quinta-feira (22), o MPT havia recebido aproximadamente 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral, número que poderá aumentar até domingo (25), quando ocorrerá a votação.

Por fim, as entidades reforçam que nenhuma trabalhadora deve sofrer ameaças por suas convicções políticas, destacando que a liberdade eleitoral constitui direito fundamental de todos.

Como denunciar: As vítimas podem registrar denúncias pelo site do Ministério Público do Trabalho ou presencialmente nas procuradorias. Também podem solicitar sigilo da identidade.

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