
Os trabalhadores da TITAN enfrentam impasses nas negociações salariais. Na foto: Márcio Ferreira em assembleia de novembro de 2025.
A campanha salarial dos trabalhadores da Titan segue marcada por impasses entre a empresa e o Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo e Região (Sintrabor). Após rejeitar, na semana passada, a segunda proposta apresentada pela empresa, a direção sindical voltou a criticar a postura patronal e afirmou que a categoria precisará intensificar a mobilização para evitar perdas de direitos e garantir avanços econômicos e sociais.
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Em nova fala aos trabalhadores, o presidente do Sintrabor, Márcio Ferreira, afirmou que a empresa tenta postergar a aplicação do reajuste salarial e se recusa a conceder aumento real. Segundo ele, a proposta patronal chega a representar “uma afronta” à categoria.
“Chega a ser uma afronta com o trabalhador a empresa querer aplicar o aumento de junho apenas em dezembro”, declarou o dirigente.
Na semana passada, Márcio Ferreira e o secretário-geral do sindicato, Sandro Vicente, já haviam divulgado vídeo criticando o pacote apresentado pela Titan. De acordo com a entidade, a proposta prevê apenas a reposição da inflação acumulada entre maio de 2025 e maio de 2026, sem qualquer ganho real de salário.
O sindicato argumenta que a simples recomposição inflacionária não representa valorização salarial.
“Reposição você não está ganhando nada, você só está repondo aquilo que a inflação já comeu no teu salário”, afirmou Márcio Ferreira na nova manifestação.
Reivindicações
Além do aumento real, o Sintrabor reivindica:
- melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR),
- implantação efetiva da escala 5×2,
- criação do vale-alimentação e
- melhores condições de compensação para feriados trabalhados.
Outro ponto de atrito envolve o banco de horas, cuja renovação foi rejeitada pelo sindicato. A entidade sustenta que o modelo favorece a empresa e já havia sido alvo de contestação na campanha salarial anterior.
Sobre a jornada de trabalho, o sindicato também critica a proposta da Titan para substituição da escala 6×1. Segundo os dirigentes, o modelo apresentado pela empresa não altera de forma concreta as condições atuais de trabalho. A entidade defende um sistema de revezamento com cinco dias trabalhados e dois de descanso em todos os turnos da fábrica.
Desde dezembro
De acordo com o Sintrabor, a pauta de reivindicações foi entregue à empresa ainda em dezembro e não há novidades nas exigências apresentadas pelos trabalhadores.
“Nós estamos querendo melhoria na participação de lucro, aumento real de salário, vale-compra e o fim do 6×1. A empresa já sabia disso desde dezembro”, afirmou Márcio Ferreira.
O dirigente ressaltou ainda que a campanha salarial deste ano será decisiva para preservar direitos históricos da categoria.
“A gente tem que lutar este ano para manter os nossos direitos. Porque, se perdermos agora, o prejuízo será muito grande a longo prazo”, declarou.
O sindicato afirma que a negociação deve continuar nos próximos dias e promete ampliar a mobilização dos trabalhadores dentro da fábrica para pressionar a empresa a apresentar uma nova proposta.
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