
Márcio Ferreira em assembleia na Titan
O presidente do Sindicato dos Borracheiros de São Paulo (Sintrabor), em vídeo divulgado nesta terça (12) junto com o secretário geral da entidade, Sandro Vicente, criticou a proposta apresentada pela empresa Titan durante a mais recente rodada de negociações coletivas e afirmou que o pacote apresentado representa retrocessos para os trabalhadores. Segundo o sindicalista, a proposta foi rejeitada por não contemplar reivindicações centrais da campanha salarial, como aumento real, implantação efetiva da escala 5×2 e criação do vale-alimentação (VA).
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De acordo com os representantes dos trabalhadores, esta já é a segunda proposta recusada na mesa de negociação. A entidade afirma que, além de insuficiente para 2026, o acordo proposto pela empresa prevê condições consideradas ruins também para 2027.
Reposição da inflação sem ganho real
Um dos principais pontos criticados pelo sindicato foi a proposta de reajuste salarial baseada apenas na reposição da inflação acumulada entre maio de 2025 e maio de 2026. Para os dirigentes, a medida apenas recompõe parcialmente as perdas salariais, sem garantir aumento real.
“O trabalhador só recupera aquilo que já perdeu com a inflação. Não há valorização do salário nem melhora do poder de compra”, afirmaram os representantes sindicais.
A proposta da empresa prevê reajuste apenas nos dois anos do acordo, sem qualquer percentual adicional de ganho real.
PLR e banco de horas também são alvo de críticas
Na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a empresa propôs pagamento de R$ 11 mil em 2026 e R$ 11,5 mil em 2027, valores condicionados ao cumprimento de metas. O sindicato argumenta que os montantes não recompõem as perdas inflacionárias acumuladas no período.
A proposta prevê pagamento parcelado, com antecipação de R$ 8 mil e complementação em janeiro do ano seguinte.
Outro ponto rejeitado foi a tentativa de renovação do banco de horas. Segundo o sindicato, a modalidade beneficia a empresa e já havia sido contestada pelos trabalhadores na campanha anterior.
Debate sobre jornada e fim da escala 6×1
A direção sindical também criticou o modelo de escala apresentado pela empresa. Embora a Titan proponha substituir a jornada 6×1 pelo regime 5×2, os representantes afirmam que a mudança não altera, na prática, as condições atuais de trabalho.
O sindicato defende um sistema de revezamento com cinco dias trabalhados e dois de descanso em todos os turnos da fábrica.
“Nós apresentamos uma proposta concreta de 5×2 para a empresa, mas ela não foi considerada”, afirmou a entidade.
Compensação de feriados gera impasse
Outro ponto de conflito envolve a compensação dos feriados trabalhados. Segundo o sindicato, a empresa quer manter a compensação de um dia de folga para cada feriado trabalhado, enquanto os trabalhadores defendem a conversão de dois dias de descanso para cada feriado laborado.
A entidade afirma que estuda medidas jurídicas sobre o tema, alegando possíveis prejuízos acumulados aos trabalhadores.
Vale-alimentação segue como prioridade
A criação do vale-alimentação foi apontada como uma das principais bandeiras da campanha salarial. O sindicato criticou o texto apresentado pela empresa sobre benefícios, classificando a redação como vaga e sem compromisso concreto.
Segundo os dirigentes, sem definição clara sobre o VA e sem mudanças efetivas na jornada de trabalho, não haverá assinatura de acordo coletivo.
Sindicato promete ampliar mobilização
Ao final do comunicado, os representantes sindicais defenderam a continuidade da mobilização na fábrica e pediram apoio dos trabalhadores para fortalecer a campanha salarial.
A entidade afirma que a negociação deve ser longa e que a pressão da categoria será fundamental para avançar em reivindicações como aumento real, manutenção de benefícios e melhores condições de trabalho.
Veja aqui o vídeo:
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