
Márcio Ferreira, do Sintrabor, e Eduardo Annunciato, Chicão, dos Eletricitários, debatem escala de trabalho e redução da jornada. Escala 6×1 ficou pior com o tempo, afirmam.
Dando continuidade à série de entrevistas sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Borracha (Sintrabor), Márcio Ferreira, entrevistou o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão).
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O dirigente chamou a atenção para o fato de que a exaustão da jornada de seis dias por semana se tornou ainda mais intensa diante do agravamento das mudanças climáticas. Segundo ele, a categoria frequentemente trabalha exposta às intempéries, o que levou o sindicato a adotar o chamado “Plano Verão”, como forma de proteção aos trabalhadores.
Chicão destacou ainda que, no próprio sindicato, foi implementada a escala 4×3 como alternativa opcional aos funcionários, mantendo a mesma jornada semanal. Para ele, a experiência demonstra a viabilidade da redução da escala.
“Muitos empresários se opõem a esse debate por má-fé, porque querem manter o trabalhador permanentemente à disposição. Mas a redução da jornada pode, inclusive, aumentar a produtividade”, afirmou.
Márcio Ferreira trouxe ao debate as especificidades de cada categoria, questionando se as diferentes dinâmicas de trabalho não deveriam ser consideradas na tramitação de projetos de lei em Brasília.
Sobre esse ponto, Chicão citou o exemplo dos trabalhadores da saúde, cuja escala é particularmente exigente, e ressaltou que, diante dessas particularidades, o papel das convenções coletivas é fundamental.
O dirigente também avaliou que o atual cenário de precarização e elevado nível de estresse foi intensificado após a reforma trabalhista. Segundo ele, a ampliação da flexibilidade favoreceu excessivamente os empregadores, gerando maior insegurança para os trabalhadores.
Assista aqui a entrevista:
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