PUBLICADO EM 02 de jun de 2026

Morre Claudio Magrão Crê, líder metalúrgico, fundador da Força Sindical e ex-deputado federal

Claudio Magrão, uma grande liderança sindical, faleceu aos 74 anos. Conheça sua trajetória e contribuições importantes.

Cláudio Magrão em assembleia na Cobrasma, década de 1990.

Cláudio Magrão em assembleia na Cobrasma, década de 1990.

Morreu nesta terça-feira, 2 de junho, aos 74 anos, o dirigente sindical Claudio Magrão de Camargo Crê. Magrão, como era carinhosamente conhecido no movimento sindical, nasceu em Osasco (SP), em 6 de julho de 1951.

Sua trajetória profissional começou ainda jovem, na Brown Boveri, em 1966. Foi, porém, na Cobrasma, a partir de 1978, que consolidou sua militância sindical e se transformou em uma das principais lideranças dos trabalhadores metalúrgicos do País.

Reconhecido pela atuação destacada na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), ingressou na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco em 1981. Em 1987, assumiu a presidência da entidade, cargo que ocupou até 1997. Sua gestão ficou marcada por importantes mobilizações, entre elas as campanhas Fora Collor, Sossega Leão e a chamada “Greve Andorinha”.

No livro que registra os 60 anos do Sindicato, Magrão relembrou como ingressou na vida sindical:

“Na época tinha aproximadamente doze mil trabalhadores e uma militância muito intensa na Cobrasma. Havia muitos dirigentes sindicais lá dentro. Disseram-me para entrar na Cipa para não me mandarem embora. Eu não tinha função nenhuma, não era dirigente sindical nem nada. Resolvi então me candidatar para a Cipa. Havia lá uma maquininha de escrever que usamos para criar um mosquitinho com os dizeres: ‘Vote no Magrão para melhores condições!’. Saí distribuindo e o resultado foi que, somando os votos de todos os 68 candidatos, não dava a metade dos votos que eu tive. Uma votação maravilhosa. Com isso o pessoal do Sindicato me chamou para compor a chapa.”

Fundação da Força Sindical

Cláudio Magrão aparece na foto da fundação da Força Sindical, em 1991.

Cláudio Magrão aparece na foto da fundação da Força Sindical, em 1991.

Magrão também teve papel decisivo na criação da Força Sindical, em 1991, sendo um dos fundadores da central. Como secretário de Formação e Qualificação, ajudou a estruturar suas bases programáticas e coordenou iniciativas voltadas à capacitação de dirigentes sindicais e trabalhadores.

Em artigo publicado no livro comemorativo dos 20 anos da Força Sindical, em 2011, refletiu sobre as transformações do sindicalismo brasileiro:

“Os dirigentes que surgiram naquela época [1978] refletiam os contextos objetivo e subjetivo em que viviam. São companheiros e companheiras que se formaram no calor da luta pela reposição da inflação e pela recuperação e valorização salarial, e que acabaram ganhando o respeito dos trabalhadores. Reivindicávamos, na época, cerca de 100%, 200% de aumento. A estabilização econômica e a globalização da economia passaram a exigir outro tipo de dirigente. Passaram a exigir dirigentes capazes de arrancar dos patrões, além do ganho salarial, reivindicações sociais, como melhores condições de trabalho, ajuda alimentação, qualificação e requalificação profissional. A situação atual é diferente. Não é tão acirrada, mas o sindicalista precisa estar atualizado com as exigências do mundo que o rodeia.”

Federação e Câmara dos Deputados

Em 1997, Magrão assumiu a presidência da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, entidade na qual continuou atuando ao longo dos anos em diferentes cargos de direção. Entre 1992 e 2000, coordenou programas de formação e qualificação profissional que contribuíram para capacitar milhares de trabalhadores e dirigentes sindicais em todo o estado.

Foi também deputado federal por São Paulo entre 2003 e 2007, pelo PPS (Partido Popular Socialista), levando ao Congresso Nacional pautas ligadas à defesa dos trabalhadores, da indústria nacional e do desenvolvimento social.

Nos últimos anos, exercia a função de vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e atuava como uma das principais referências do movimento sindical brasileiro.

Repercussão

Magrão no lançamento do livro dos 60 anos do Sindicato, e 2024

Magrão no lançamento do livro dos 60 anos do Sindicato, e 2024

A morte de Magrão provocou grande comoção no meio sindical.

O presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, disse:

“Magrão fará, com certeza, muita falta para todos nós, na organização das atuais e futuras lutas em defesa dos direitos da classe trabalhadora e nas campanhas salariais para a categoria metalúrgica.

Pedimos que Deus lhe dê a eterna felicidade e conforte o coração da família, amigos e companheiros de luta. Magrão, presente!”

Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco destacou:

“A diretoria do Sindicato lamenta profundamente a partida rápida do nosso companheiro. Neste momento de profunda tristeza, nos solidarizamos com sua esposa Angela, seus dois filhos, demais familiares, amigos e toda a categoria metalúrgica, que perde um de seus mais importantes líderes.

O legado de Claudio Magrão permanecerá vivo na memória e na luta de cada trabalhador e trabalhadora que teve sua vida transformada por sua atuação incansável.”

Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, Josinaldo José de Barros, o Cabeça, ressaltou:

“Magrão pertenceu a uma geração de dirigentes destemidos, enfrentando, em sua época no Sindicato, a repressão do regime, a violência policial e as perseguições patronais. Era o tipo de sindicalista que orientava avançar, mas também sabia a hora de negociar.

Nosso Sindicato deve muito a Magrão, e nossa categoria também, pois, em todos os momentos, especialmente nos mais difíceis, ele sempre foi um parceiro solidário. Muitas vezes também recorremos às suas orientações, sempre coerentes, firmes e classistas.”

Com sua trajetória marcada pela defesa dos trabalhadores, pela formação sindical e pela construção de importantes instituições do movimento sindical brasileiro, Claudio Magrão deixa um legado que ultrapassa gerações e permanecerá vivo na história das lutas da classe trabalhadora.

Leia também:

O Eco da Complexidade: A Cursividade Eterna de Edgar Morin

O Eco da Complexidade: A Cursividade Eterna de Edgar Morin

COLUNISTAS

QUENTINHAS