PUBLICADO EM 10 de ago de 2026

Nos EUA, Sindicato dos Enfermeiros luta contra a ganância corporativa

Ação do Sindicato dos Enfermeiros dos EUA visa combater a redução da fiscalização e proteger pacientes e trabalhadores. Confira!

O Sindicato dos Enfermeiros dos EUA inicia campanha para proteger a segurança no trabalho e a saúde dos pacientes. Foto:  NNU

O Sindicato dos Enfermeiros dos EUA inicia campanha para proteger a segurança no trabalho e a saúde dos pacientes. Foto: NNU

WASHINGTON — O National Nurses United (Sindicato Nacional dos Enfermeiros Unidos) iniciou uma campanha intensiva para proteger seus pacientes e a segurança dos trabalhadores no local de trabalho contra os perigos e os impactos da ganância corporativa.

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Em cartas enviadas aos dois comitês do Congresso que tratam de questões relacionadas aos trabalhadores, e em uma petição on-line que o sindicato quer que seus apoiadores enviem aos parlamentares, os enfermeiros alertam que “a ganância corporativa pode comprometer a segurança dos pacientes”. E a dos trabalhadores.

“Durante o governo Trump, a OSHA está promovendo políticas que ajudam as corporações a lucrar às custas da saúde e da segurança dos trabalhadores”, informa o sindicato.

Desde 2025, a OSHA tem:

  • Reduzido a fiscalização e diminuído as penalidades.
  • Proposto isentar determinadas indústrias da fiscalização da OSHA, deixando a porta aberta para a ampliação dessa medida a outros setores; e
  • Proposto enfraquecer as proteções para trabalhadores que precisam de respiradores para se proteger de produtos químicos tóxicos, doenças infecciosas e outros riscos respiratórios no trabalho.

“Isso faz parte do plano fascista do governo Trump para manipular a economia em favor dos bilionários, às custas da classe trabalhadora. Os trabalhadores precisam de mais inspeções, normas e fiscalização da OSHA voltadas para responsabilizar as corporações e proteger os trabalhadores, e não de menos. Se essas mudanças se tornarem permanentes, mais trabalhadores ficarão doentes, sofrerão acidentes e morrerão”, alerta o sindicato.

O NNU, maior sindicato de enfermeiros registrados do país, exige que o Congresso reverta todas essas medidas contra os trabalhadores, além de adotar outras providências.

É duvidoso que os republicanos que controlam o Congresso estejam ouvindo. Na semana anterior ao envio da carta e do apelo por e-mail do sindicato, a maioria republicana ideologicamente rígida do Comitê de Educação e Força de Trabalho da Câmara aprovou, em votações seguindo a linha partidária, dois projetos de lei extremamente prejudiciais aos trabalhadores.

O mais evidente deles afeta todos os trabalhadores, tanto em ambientes internos quanto externos, que precisam trabalhar sob temperaturas elevadas — desde os funcionários de armazéns da Amazon até trabalhadores de linhas telefônicas e trabalhadores rurais. O projeto proibiria para sempre a OSHA de estabelecer uma norma que obrigue as empresas a proteger os trabalhadores dos perigos — doenças, colapsos e mortes — provocados pelo calor extremo.

Coincidentemente, um carteiro rural do norte do Texas morreu dias antes, após desmaiar sob as temperaturas extremas provocadas pela chamada “cúpula de calor” que assola grande parte do país.

A outra medida contra os trabalhadores aprovada pela maioria do comitê declararia arbitrariamente que médicos residentes e internos do primeiro ano — incluindo enfermeiros — são “prestadores de serviços independentes”, que não teriam direito ao pagamento de horas extras, poderiam receber menos que o salário-mínimo e não poderiam se sindicalizar para se proteger. Essa medida, se aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente republicano e contrário aos trabalhadores, Donald Trump, agravaria ainda mais a escassez de médicos e enfermeiros nos Estados Unidos.

A OSHA deve proteger os trabalhadores, e não os lucros corporativos, inclusive por meio de:

  • Suspender todos os retrocessos nas normas, regulamentações e orientações;
  • Proteger o direito dos trabalhadores de apresentar denúncias sobre questões de saúde e segurança no local de trabalho sem medo de retaliação; e
  • Aumentar as inspeções e autuações para que a proteção dos trabalhadores por meio da fiscalização não seja enfraquecida durante este governo”, afirma o NNU.

“Segurança em primeiro lugar, certo?”, pergunta retoricamente a carta on-line.

Mas, mais uma vez, não é apenas Trump que está no caminho.

Em junho, a subcomissão de Apropriações da Câmara, controlada pelos republicanos e responsável por ajudar a distribuir recursos federais para programas do Departamento do Trabalho, incluindo a OSHA, concordou com o corte de vários milhões de dólares proposto por Trump para os recursos destinados à fiscalização da OSHA. Isso também reduziria o número de inspetores da OSHA ao nível mais baixo em décadas.

É por isso que o NNU quer que as pessoas assinem a petição, disponível em seu site.

“Os CEOs do setor de saúde não podem continuar colocando seus próprios lucros acima de nossos pacientes, e as regulamentações da OSHA tornam mais difícil para eles fazerem justamente isso. Precisamos de MAIS dessas proteções, mas, em vez disso, elas estão sob ataque — é por isso que precisamos da sua ajuda”, diz a mensagem urgente do sindicato.

O premiado jornalista Mark Gruenberg é chefe da sucursal de Washington, D.C., do People’s World.

Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy.

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