
Milei, presidente da Argentina
A política econômica do presidente Javier Milei reduziu fortemente a inflação argentina, porém indicadores sociais e trabalhistas revelam dificuldades enfrentadas pela população atualmente.
Nos primeiros oito meses de 2026, a inflação mensal ficou entre 1,9% e 3,4%, resultado significativamente inferior aos índices registrados anteriormente no país.
Além disso, a Argentina alcançou superávit fiscal primário equivalente a 1,8% do PIB no primeiro ano do governo, após sucessivos resultados negativos anteriores.
Entretanto, o ajuste envolveu cortes de subsídios, investimentos públicos, programas sociais e transferências às províncias, afetando diretamente serviços públicos, trabalhadores e famílias argentinas.
Milhares de empresas fecharam
Ao mesmo tempo, mais de 30 mil empresas fecharam desde a chegada de Milei ao governo, segundo levantamento do centro independente de pesquisas Fundar.
O governo argentino questiona esses números e sustenta que as mudanças representam uma reorganização econômica necessária após anos marcados por desequilíbrios fiscais e monetários estruturais.
Por outro lado, empresários e economistas relacionam os fechamentos à retração do consumo, perda do poder aquisitivo, custos elevados e crescente concorrência dos importados.
Consequentemente, o mercado de trabalho sofreu impactos importantes. O desemprego avançou de 5,7%, no quarto trimestre de 2023, para 7,8% neste ano.
Além disso, 241.176 trabalhadores deixaram empregos formais privados entre novembro de 2023 e maio de 2026, com forte concentração das perdas na indústria manufatureira.
Enquanto isso, tarifas de eletricidade, gás, água e transporte aumentaram 966% entre dezembro de 2023 e julho de 2026, pressionando fortemente orçamentos familiares.
Salário mínimo perde força
No mesmo período, a inflação acumulou 241%, enquanto o salário mínimo perdeu 39,3% do poder real de compra entre novembro de 2023 e abril.
Nesse cenário, quase seis milhões de argentinos enfrentam inadimplência, número equivalente a 13,6% da população, segundo dados do Banco Central da República Argentina atualmente.
A situação levou sindicatos argentinos a organizarem, pela primeira vez, uma manifestação em defesa dos endividados, diante do avanço expressivo das dificuldades financeiras familiares.
Um dos manifestantes, Fernando Pérez, relatou dificuldades para sustentar sua família depois de perder dois dos três empregos que mantinha anteriormente na Argentina.
“Devo cerca de 2 milhões de pesos (R$7.300). Já cancelei o plano de saúde e cortei tudo o que podia”, afirmou o trabalhador argentino.
“O cenário é assustador. Eu e minha esposa muitas vezes temos de optar entre remédios e comida”, acrescentou Pérez durante manifestação realizada em Buenos Aires.
Além disso, cresce a procura por crédito fora dos bancos, principalmente entre trabalhadores, aposentados e famílias que perderam renda durante o processo de ajuste econômico.
“O inédito é o crescimento de 16% nos financiamentos individuais por fora do sistema bancário, em plataformas virtuais que cobram juros de até 700% ao ano”, afirmou Mariana González.
Economia recua
Apesar das dificuldades sociais, dados divulgados nesta semana mostram crescimento de 2% do PIB argentino no segundo trimestre, comparativamente ao mesmo período de 2025.
Porém, na comparação com o primeiro trimestre, a economia recuou 0,6%, enquanto a indústria manufatureira apresentou contração anual de 2% no mesmo período analisado.
Assim, os indicadores apresentam um cenário econômico contraditório: inflação e contas públicas melhoraram, enquanto desemprego, endividamento, perda salarial e dificuldades industriais continuam preocupando trabalhadores argentinos.
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