PUBLICADO EM 22 de set de 2026

Lula leva defesa da democracia e soberania à tribuna da ONU

Na ONU, Lula defende democracia, soberania e multilateralismo, critica interferências eleitorais, guerras e cobra mudanças na governança mundial

Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU

Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, nesta terça-feira (22), o debate da 81ª Assembleia Geral da ONU com forte defesa da soberania nacional.

Leia também:

Plenária nacional mobiliza campanha de Lula

Em Nova York, Lula relacionou democracia, soberania e multilateralismo aos principais desafios internacionais e criticou interferências externas em processos eleitorais de países latino-americanos.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, afirmou Lula, ao abordar as pressões internacionais sobre países da região durante seu pronunciamento.

Além disso, o presidente declarou que diferenças ideológicas não podem impedir a integração regional e reforçou a autonomia dos países para decidirem seus próprios caminhos.

“Não somos quintal de ninguém”

A declaração de Lula faz referência às relações internacionais do Brasil e da América Latina com as grandes potências mundiais.

Democracia e eleições

O discurso ocorreu a duas semanas das eleições brasileiras, enquanto Lula disputa novo mandato e coloca democracia e soberania entre temas centrais desta campanha eleitoral.

Na tribuna, entretanto, Lula tratou essas questões no contexto internacional e apresentou uma série de escolhas que, segundo ele, desafiam atualmente a comunidade mundial.

“Democracia ou extremismo? Soberania ou subordinação?”

O questionamento de Lula, foi feito ao defender decisões políticas capazes de preservar instituições democráticas e fortalecer a autonomia dos países.

Na véspera, Lula havia afirmado que a eleição brasileira envolve escolhas entre democracia e “barbárie”, inclusão social e abandono, preservação ambiental e desmatamento.

O presidente também declarou anteriormente que “o negacionismo não pode dar certo” e defendeu o sistema eletrônico brasileiro, destacando sua confiança na segurança das urnas.

Mulheres e direitos humanos

Outro momento de repercussão ocorreu quando Lula defendeu a relatora especial da ONU Francesca Albanese, alvo de sanções norte-americanas relacionadas à sua atuação internacional.

“A relatora especial da ONU Francesca Albanese não pode ser silenciada por dizer a verdade”, afirmou Lula, declaração recebida com aplausos durante seu pronunciamento.

Ao abordar Gaza, Lula voltou suas atenções especialmente para mulheres e crianças palestinas atingidas pela guerra e criticou duramente a atuação do governo israelense.

Críticas à ONU

Lula também fez críticas contundentes ao funcionamento das Nações Unidas e afirmou que a organização atravessa seu momento mais crítico desde sua primeira participação.

Segundo o presidente, a ONU perde capacidade de enfrentar guerras enquanto o Conselho de Segurança permanece paralisado diante dos conflitos que ameaçam diferentes populações mundiais.

“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”, declarou o presidente brasileiro.

Lula afirmou ainda que a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa e cobrou mudanças capazes de fortalecer novamente o multilateralismo e a cooperação internacional.

Reforma e multilateralismo

Nesse sentido, o presidente voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança, pauta histórica da diplomacia brasileira diante das transformações ocorridas no cenário internacional.

Para Lula, instituições multilaterais precisam representar melhor a realidade geopolítica atual e oferecer maior participação aos países em desenvolvimento nas decisões que afetam todo planeta.

Além disso, o presidente apresentou o multilateralismo como alternativa ao unilateralismo e defendeu respeito ao direito internacional, diálogo diplomático e soluções negociadas para conflitos mundiais.

Crime organizado e soberania

Lula também abordou o avanço do crime organizado e afirmou que o Brasil reconhece a gravidade do problema e mantém responsabilidade sobre seu enfrentamento interno.

“O Brasil não subestima o crime organizado. Estamos preparados para enfrentar os criminosos”, declarou o presidente ao abordar segurança, fronteiras e cooperação entre países.

Entretanto, Lula rejeitou a presença militar estrangeira como solução para o problema e afirmou que o Brasil não terceirizará a responsabilidade pela proteção das próprias fronteiras.

Assim, o pronunciamento reuniu democracia, soberania, multilateralismo, guerras, segurança e reforma da ONU, enquanto Lula também levou à tribuna preocupações relacionadas ao cenário eleitoral regional.

Assista aqui a fala de Lula na ONU:

Leia também:

Crise social desafia resultados econômicos de Milei na Argentina

Crise social desafia resultados econômicos de Milei na Argentina

ENVIE SEUS COMENTÁRIOS

COLUNISTAS

QUENTINHAS