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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, nesta terça-feira (22), o debate da Assembleia Geral da ONU com forte defesa da soberania nacional.
Em Nova York, Lula relacionou democracia, soberania e multilateralismo aos principais desafios internacionais e criticou interferências externas em processos eleitorais de países latino-americanos.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, afirmou Lula, ao abordar as pressões internacionais sobre países da região durante seu pronunciamento.
Além disso, o presidente declarou que diferenças ideológicas não podem impedir a integração regional e reforçou a autonomia dos países para decidirem seus próprios caminhos.
“Não somos quintal de ninguém”
A declaração de Lula faz referência às relações internacionais do Brasil e da América Latina com as grandes potências mundiais.
Democracia e eleições
O discurso ocorreu a duas semanas das eleições brasileiras, enquanto Lula disputa novo mandato e coloca democracia e soberania entre temas centrais desta campanha eleitoral.
Na tribuna, entretanto, Lula tratou essas questões no contexto internacional e apresentou uma série de escolhas que, segundo ele, desafiam atualmente a comunidade mundial.
“Democracia ou extremismo? Soberania ou subordinação?”
O questionamento de Lula, foi feito ao defender decisões políticas capazes de preservar instituições democráticas e fortalecer a autonomia dos países.
Na véspera, Lula havia afirmado que a eleição brasileira envolve escolhas entre democracia e “barbárie”, inclusão social e abandono, preservação ambiental e desmatamento.
O presidente também declarou anteriormente que “o negacionismo não pode dar certo” e defendeu o sistema eletrônico brasileiro, destacando sua confiança na segurança das urnas.
Mulheres e direitos humanos
Outro momento de repercussão ocorreu quando Lula defendeu a relatora especial da ONU Francesca Albanese, alvo de sanções norte-americanas relacionadas à sua atuação internacional.
“A relatora especial da ONU Francesca Albanese não pode ser silenciada por dizer a verdade”, afirmou Lula, declaração recebida com aplausos durante seu pronunciamento.
Ao abordar Gaza, Lula voltou suas atenções especialmente para mulheres e crianças palestinas atingidas pela guerra e criticou duramente a atuação do governo israelense.
Críticas à ONU
Lula também fez críticas contundentes ao funcionamento das Nações Unidas e afirmou que a organização atravessa seu momento mais crítico desde sua primeira participação.
Segundo o presidente, a ONU perde capacidade de enfrentar guerras enquanto o Conselho de Segurança permanece paralisado diante dos conflitos que ameaçam diferentes populações mundiais.
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”, declarou o presidente brasileiro.
Lula afirmou ainda que a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa e cobrou mudanças capazes de fortalecer novamente o multilateralismo e a cooperação internacional.
Reforma e multilateralismo
Nesse sentido, o presidente voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança, pauta histórica da diplomacia brasileira diante das transformações ocorridas no cenário internacional.
Para Lula, instituições multilaterais precisam representar melhor a realidade geopolítica atual e oferecer maior participação aos países em desenvolvimento nas decisões que afetam todo planeta.
Além disso, o presidente apresentou o multilateralismo como alternativa ao unilateralismo e defendeu respeito ao direito internacional, diálogo diplomático e soluções negociadas para conflitos mundiais.
Crime organizado e soberania
Lula também abordou o avanço do crime organizado e afirmou que o Brasil reconhece a gravidade do problema e mantém responsabilidade sobre seu enfrentamento interno.
“O Brasil não subestima o crime organizado. Estamos preparados para enfrentar os criminosos”, declarou o presidente ao abordar segurança, fronteiras e cooperação entre países.
Entretanto, Lula rejeitou a presença militar estrangeira como solução para o problema e afirmou que o Brasil não terceirizará a responsabilidade pela proteção das próprias fronteiras.
Assim, o pronunciamento reuniu democracia, soberania, multilateralismo, guerras, segurança e reforma da ONU, enquanto Lula também levou à tribuna preocupações relacionadas ao cenário eleitoral regional.
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