
Eduardo Annunciato (Chicão)
As eleições passaram, mas ameaças, constrangimentos e relatos de perseguição política continuam exigindo nossa atenção. Para quem depende do salário para sustentar a família, ouvir que seu emprego pode estar em risco por causa de uma escolha eleitoral é uma violência. Nenhum trabalhador deveria sair de casa com medo de ser punido pelo que pensa ou pelo voto que exerceu.
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Quero falar diretamente aos Eletricitários: o respeito à nossa categoria precisa existir todos os dias. Nas equipes de campo, nas usinas, nas áreas administrativas, nos centros de operação e nas empresas prestadoras de serviços, ninguém deve ser humilhado, ameaçado ou discriminado por sua posição política. A autoridade de uma chefia não lhe dá o direito de controlar a consciência de quem trabalha.
Nossa categoria conhece o peso da responsabilidade. Enfrentamos riscos, pressão e jornadas exigentes para manter um serviço essencial à população. Já temos desafios suficientes na luta por segurança, salários dignos e melhores condições de trabalho. Não podemos aceitar que a perseguição política se some a essa realidade.
Fazer valer a democracia
A democracia não se resume ao momento de depositar o voto na urna. Ela também precisa ser respeitada na segunda-feira, quando o trabalhador retorna ao serviço. Precisa valer na distribuição das tarefas, nas oportunidades de promoção, no tratamento dado pelas chefias e nas conversas dos grupos de mensagens da empresa.
Ameaçar uma demissão, retirar oportunidades como castigo ou expor um colega ao ridículo por sua preferência eleitoral são condutas graves. Quando existe pressão ou uso de uma relação de poder para constranger alguém, o problema ultrapassa uma discussão política. E o fato de a eleição ter terminado não apaga o que aconteceu nem autoriza novas represálias.
Temos posições e defendemos nossas ideias. Mas defender a democracia exige reconhecer que os trabalhadores têm liberdade de escolha. O Sindicato representa uma categoria formada por pessoas com opiniões diferentes. O respeito à dignidade de cada uma delas deve estar acima dessas diferenças.
Por isso, faço um apelo: não naturalize a ameaça e não se cale diante da perseguição. Se você sofreu ou presenciou uma situação desse tipo, registre o que aconteceu. Anote datas, locais e nomes, preserve mensagens, e-mails e outros registros obtidos de forma lícita. Informe também se há testemunhas. Esses elementos podem contribuir para a apuração.
Onde denunciar
Procure o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo para buscar orientação e apoio. A organização coletiva é fundamental para que o trabalhador não enfrente sozinho uma situação marcada pelo medo e pela desigualdade de poder.
As denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, pelo endereço mpt.mp.br/assedio-eleitoral. O canal recebe relatos de situações ocorridas antes, durante e depois das eleições. O Ministério do Trabalho e Emprego também disponibiliza o endereço assedioeleitoral.trabalho.gov.br.
Ao denunciar, descreva os fatos com clareza e apresente as informações disponíveis. Você pode solicitar sigilo da identidade e deve informar qualquer receio de retaliação. É importante saber que as próprias circunstâncias do caso podem permitir a identificação de quem denunciou; por isso, buscar orientação também faz parte da proteção do trabalhador.
Respeito aos trabalhadores
Não precisamos concordar em tudo para reconhecer um princípio básico: ninguém pode ter sua dignidade colocada em dúvida por sua escolha política. O salário remunera o nosso trabalho. Não compra o nosso voto, a nossa opinião ou a nossa consciência.
Como presidente do Sindicato, reafirmo meu compromisso com a defesa dos eletricitários e com o respeito à liberdade de cada trabalhador. As eleições terminam. Nossa luta por direitos, segurança e dignidade continua.


