
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, Samira de Castro, criticou a superficialidade da campanha eleitoral e alertou para o esvaziamento dos debates nacionais.
Em entrevista à Agência Brasil, Samira afirmou que a crise político-institucional envolvendo o caso Master ocupa espaço crescente no noticiário e prejudica discussões eleitorais importantes.
Segundo a dirigente, as atenções concentradas na crise institucional colocam propostas dos candidatos, demandas da sociedade civil e grandes pautas nacionais atualmente em segundo plano.
Além disso, Samira relacionou esse cenário à lógica da comunicação voltada para conquistar audiência imediata, enquanto questões estruturais recebem menor espaço e aprofundamento no noticiário.
Como consequência, a população encontra dificuldades para debater profundamente programas de governo e candidaturas nos níveis nacional e estadual durante o atual processo eleitoral brasileiro.
Nesse cenário, Samira também criticou o jornalismo declaratório, baseado principalmente na repercussão de declarações, sem aprofundamento suficiente sobre acontecimentos políticos relevantes para toda sociedade brasileira.
Fenaj defende cobertura além da crise institucional
Apesar da gravidade da crise envolvendo o Poder Judiciário, a presidenta da Fenaj defendeu que os veículos mantenham espaço permanente para outras agendas nacionais relevantes.
“Acho que a mídia precisa insistir na segunda agenda. É importante cobrir a crise do Poder Judiciário. Inclusive porque rende muita audiência – o que também é necessário.”
Entretanto, Samira argumentou que o jornalismo precisa manter visão de longo prazo e abordar desafios econômicos, sociais e geopolíticos que ultrapassam diretamente o período das eleições.
Nesse sentido, ela defendeu fontes plurais e confiáveis, além de maior participação da população nas reportagens sobre políticas que afetam diretamente seu cotidiano e futuro.
Para Samira, a imprensa enfrentará desafios crescentes durante coberturas eleitorais e precisará refletir sobre sua responsabilidade social diante das disputas políticas e econômicas existentes.
“O jornalismo tem que perceber seu papel nesse momento e agir com responsabilidade, cumprindo sua função social de compartilhar informação de relevante interesse público, capaz de gerar cidadania.”
‘Tiktokização’ empobrece campanhas eleitorais
Ao mesmo tempo, Samira criticou veículos que reproduzem a lógica das redes sociais, buscando engajamento momentâneo enquanto deixam discussões aprofundadas sobre questões nacionais em segundo plano.
Além da cobertura jornalística, a presidenta da Fenaj identificou empobrecimento das próprias campanhas, que passaram a priorizar estratégias superficiais de comunicação para alcançar rapidamente os eleitores.
“Parece-me que estamos sofrendo um violento processo de “tiktokização” da campanha eleitoral. Você olha os perfis dos candidatos e tudo se resume a dancinha. É uma loucura. Poucos parecem debater a sério os reais problemas do Brasil.”
Para Samira, essa dinâmica reduz oportunidades para candidatos apresentarem soluções e discutirem problemas estruturais que exigem planejamento, políticas públicas e compromissos governamentais de longo prazo nacional.
Entre esses assuntos, ela destacou mudanças climáticas, exploração das terras raras e atração de data centers como exemplos de questões estratégicas que exigem discussão aprofundada.
Por fim, Samira avaliou que inúmeros temas relevantes permanecem atualmente na agenda nacional, porém ainda não recebem debates compatíveis com sua importância durante a campanha eleitoral.
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