PUBLICADO EM 17 de jul de 2026

Colunista: Alex Saratt

O leilão foi suspenso, a luta segue…

O leilão suspenso das escolas gaúchas foi uma vitória para a educação pública. Mas a decisão é temporária e a luta precisa continuar. Conheça os desdobramentos dessa decisão.

Leilão suspenso: manifestação do Cpers contra privatização das escolas públicas estaduais gaúchas em 16/07/2026. Foto: Caco Argemi / CPERS Sindicato

Leilão suspenso: manifestação do Cpers contra privatização das escolas públicas estaduais gaúchas em 16/07/2026. Foto: Caco Argemi / CPERS Sindicato

A notícia da suspensão do processo de privatização das escolas públicas estaduais gaúchas, evidentemente, foi saudada por todos aqueles que lutam em favor da educação pública.

​Em despacho emitido pelo conselheiro Estilac Xavier, membro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, o certame se tornou objeto de uma medida cautelar que atendeu aos pedidos de duas empresas INTERESSADAS NA PRIVATIZAÇÃO, atendidos em razão de questionamentos quanto aos procedimentos licitatórios.

​Oportuna e inteligentemente, o conselheiro do TCE recuperou no arrazoado de seu despacho aqueles elementos que haviam sido solenemente ignorados pelo ato de seu par, o conselheiro-presidente do TCE, Iradir Pietrosky, responsável pela derrubada da liminar concedida ao CPERS, que sustava o leilão a partir da identificação de problemas técnicos no edital de venda das escolas.

Leia aqui o resumo do Despacho do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul

​A decisão atual não tem caráter definitivo e tampouco demove o governador Eduardo Leite de “passar nos pila” 98 escolas da rede estadual sob sua responsabilidade. O êxito na frente jurídica é um alento, e exige de nós o reforço e a intensidade da organização, da movimentação e da luta da categoria, do movimento estudantil, da comunidade escolar organizada (CPMs e Conselhos Escolares), das centrais sindicais, dos movimentos sociais, dos partidos políticos democráticos e das mídias alternativas num só sentido e objetivo: barrar a privatização da educação.

​O calendário de lutas segue; aliás, justifica-se por sua importância e impacto no necessário (e agora descoberto) debate público. A sociedade gaúcha, atenta aos acontecimentos políticos e que tem o CPERS em alta conta e credibilidade, quer saber mais e melhor sobre as PPPs e entender por que esse negócio feito às escuras, quase sigiloso, com utilização de vultosa quantia de dinheiro estatal e cheio de inconsistências apontadas política, jurídica, financeira e pedagogicamente, não teve explicações convincentes por parte do governador e de seu vice, sabidamente candidato à sucessão da atual gestão.

​Temporária e momentaneamente, o leilão está suspenso. Vivas! A luta, essa, porém, segue firme, unida, forte e cada vez maior. A Educação não é mercadoria, gritam as escolas, as ruas e as redes: #nãovendaaminhaescola é a síntese da luta de todos nós.

​Alex Saratt é 1° vice-presidente do CPERS-Sindicato

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