PUBLICADO EM 27 de mar de 2021
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Colunista João Carlos Juruna

Dia Nacional do Graffiti, 27 de março

Para homenagear o dia do Graffiti, reproduzo hoje, 27/03/2021, a introdução do livro Arte de Rua, publicado em 2016:

“Aprendi a gostar de fotografia com meu pai, João Flórido Gonçalves. Tínhamos uma Kodak Caixotinho, nos anos de 1950 e 60. Ele me ensinou a usá-la. A perceber a luz, o enquadramento, segurar a respiração e, sobretudo, a beleza de captar o momento. Sempre trouxe isso comigo.

Quando mudei para o bairro de Pinheiros, em 2009, uma das coisas que mais me chamou a atenção durante as caminhadas com a Carolina e nossa cachorrinha, Susie, foram os muros grafitados, que comecei a fotografar por diversão.

Costumamos, nos fins de semana, subir a rua que contorna o cemitério São Paulo, e andar pelas vielas ao redor do Beco do Batman, naquelas travessas estreitas com casas antigas da Vila Madalena.

Aquele pedaço sinuoso e montanhoso da cidade, com fachadas, muros, postes cobertos por “graffiti”, é uma colorida exposição de arte a céu aberto. É o cenário ideal para os apaixonados por fotografia.

A arte da rua emerge desta concretude e reflete momentos da vida nas grandes cidades. Minhas andanças por ali reforçam-me a consciência de como o tempo livre é fundamental.

Lembro que não foi sem luta, sem o sacrifício de tantos e tantos, que os trabalhadores conquistaram o direito a algum tempo livre, nas férias, nos fins de semana, ou até em alguns momentos do dia útil.

Por isso o livro Arte de Rua, publicado em 2016, no ano do 130º aniversário do Dia do Trabalhador, foi uma homenagem à contemplação e à beleza do espaço urbano, construído através do trabalho.

Resultou do que podemos fazer com nosso tempo livre, garantido no início pelos trabalhadores ingleses, americanos… brasileiros reduzindo a jornada e dando condições para podermos usufruir melhor nossa vida.

São Paulo, 11 de novembro de 2016”

João Carlos Juruna Goncalves, 67, secretário geral da Força Sindical e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, foi membro da Juventude Operária Católica (JOC) no período  de 1970 a 1979.

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As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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