PUBLICADO EM 29 de set de 2026

Sindaport busca reparação por intervenção durante ditadura

Sindaport prepara pedido de anistia e indenização pela intervenção sofrida após o golpe de 1964 e busca reparar perseguições a dirigentes

Sindaport busca reparação por intervenção durante ditadura

O Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) prepara pedido de anistia política coletiva junto à Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos.

Além disso, a entidade pretende solicitar indenização pelos danos morais decorrentes da intervenção federal sofrida durante a ditadura militar iniciada após o golpe de 1964.

Segundo o sindicato, o governo João Goulart caiu em 1º de abril daquele ano, enquanto militares fecharam sua sede e destituíram toda diretoria.

Entre 2 de abril de 1964 e 3 de setembro de 1965, Alberto Muniz permaneceu como interventor nomeado para comandar temporariamente a entidade sindical.

Para o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, trata-se de uma reparação histórica diante das consequências enfrentadas pelo sindicato e seus dirigentes.

“Além do Sindaport, outros sindicatos portuários também foram fechados pela ditadura. Uma época triste da história do País, de santos e sindicalismo brasileiro”, afirmou.

Além da iniciativa coletiva, o sindicalista pretende ingressar com solicitação individual de anistia, pois afirma ter enfrentado perseguição política durante o período autoritário.

 

Conforme Cirino, uma pesquisa conduzida pelo advogado Bruno Luis Talpai identificou documentos nos arquivos militares relacionados aos dirigentes do sindicato e às perseguições políticas.

Já associados e familiares que possam ter sofrido perseguições durante o período devem procurar o Sindaport para fornecer informações e contribuir diretamente com essa pesquisa histórica.

Os advogados auxiliarão os interessados e verificarão possíveis casos de monitoramento ou prejuízos ligados à atuação sindical durante a ditadura, fundamentando futuros pedidos de reparação moral.

Encarcerados em navio

Segundo a advogada e jornalista Ruth Coelho Monteiro, agentes da ditadura perseguiram e vigiaram dirigentes do Sindaport e chegaram a prender alguns deles no navio Raul Soares.

Naquele período, autoridades utilizaram o navio como local de encarceramento durante a repressão, situação que marcou trabalhadores e dirigentes ligados ao movimento sindical portuário.

Posteriormente, conforme avançou a redemocratização brasileira, processos de transição democrática e leis específicas passaram a permitir novas iniciativas voltadas à memória, verdade e reparação.

Agora, o Sindaport busca utilizar os mecanismos de anistia para recuperar essa história e reparar consequências sofridas por trabalhadores e dirigentes durante aquele período.

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