PUBLICADO EM 14 de out de 2026

Senado pode votar fim da escala 6×1 e redução de jornada em dois turnos nesta quarta-feira

Requerimento para acelerar a tramitação da PEC 221/2019 já reúne assinaturas suficientes. Proposta prevê redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção dos salários.

Entenda as distorções do orçamento e como impacta a produtividade e o desenvolvimento no Brasil. Foto: Agência Senado

Entenda as distorções do orçamento e como impacta a produtividade e o desenvolvimento no Brasil. Foto: Agência Senado

 

O Senado Federal poderá votar, em dois turnos, nesta quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta terça-feira (13) que um requerimento de calendário especial já conta com o número necessário de assinaturas para ser analisado pelo plenário. Caso seja aprovado, o pedido permitirá acelerar a tramitação da proposta e realizar as duas votações no mesmo dia.

“Vários senadores assinaram um requerimento de calendário especial. Já há o número regimental para a apreciação do calendário especial na tarde da sessão de amanhã”, afirmou Alcolumbre, pouco antes de encerrar a sessão deliberativa de terça-feira.

Pelas regras do Senado, uma proposta de emenda constitucional precisa passar por cinco sessões deliberativas antes da votação em primeiro turno. Para a votação em segundo turno, é exigido um intervalo adicional de três sessões.

O requerimento de calendário especial permitirá dispensar esse intervalo, abrindo caminho para a conclusão da votação ainda nesta quarta-feira.

Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos.

O que muda para os trabalhadores

A PEC 221/2019 estabelece mudanças na organização da jornada de trabalho, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana e reduzindo gradualmente o limite de horas trabalhadas, sem prejuízo dos salários.

A proposta prevê um período de transição de 14 meses para a implementação integral das novas regras.

As principais mudanças previstas são:

  • Fim da escala 6×1: substituição do modelo de seis dias de trabalho e um de descanso pela escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana.
  • Redução da jornada: diminuição do limite semanal de 44 para 42 horas, 60 dias após a promulgação da emenda.
  • Jornada de 40 horas: após mais 12 meses, a carga horária máxima semanal será reduzida para 40 horas.
  • Salários preservados: a redução da jornada não poderá resultar em diminuição da remuneração dos trabalhadores.
  • Negociação coletiva: acordos e convenções coletivas continuarão podendo regulamentar situações específicas e regimes diferenciados de trabalho.

A PEC também estabelece regras especiais para profissionais com diploma de ensino superior e remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87. Nesses casos, a jornada poderá ser definida por negociação direta entre empregado e empregador, desde que seja respeitada a escala 5×2.

A mudança representa uma ampliação do tempo destinado ao descanso, ao lazer e à convivência familiar, além de estabelecer novos limites para a duração do trabalho no país.

Proposta já foi aprovada pela Câmara

A PEC 221/2019 foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados, em maio, com ampla maioria de votos. No Senado, a proposta passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deu parecer favorável no início de setembro.

Desde a semana passada, o texto está em tramitação no plenário, com a primeira votação prevista para esta quarta-feira.

Caso os senadores aprovem a proposta nos dois turnos, sem alterações de mérito, a emenda constitucional seguirá diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.

Se houver mudanças no conteúdo, o texto terá que retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.

A votação representa uma etapa decisiva na discussão sobre a redução da jornada de trabalho e a ampliação do descanso semanal, reivindicações históricas do movimento sindical brasileiro.

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