
Sergio Luiz Leite, da Fequimfar, defende a redução da jornada em simpósio da OAB sobre o fim da escala 6×1
A redução da jornada de trabalho e a adoção da escala de cinco dias de trabalho e dois de folga foram tema de um simpósio em São José do Rio Preto. Organizado pela Comissão de Direito do Trabalho da OAB local, o encontro reuniu advogados, empresários e dirigentes sindicais para discutir como aplicar as mudanças em setores com rotinas distintas, como indústria, comércio e serviços.
Leia também:
A vitória eleitoral e a disputa pelo futuro do Brasil
Em entrevista ao TEM Notícias – 2ª edição, da TV TEM de São José do Rio Preto, afiliada da Globo, o presidente da Fequimfar e vice-presidente da Força Sindical, Sergio Luiz Leite, defendeu o fim da escala 6×1. Representante dos trabalhadores no simpósio, o dirigente comparou o debate atual ao de 1988, quando a jornada semanal foi reduzida de 48 para 44 horas.
“Em 1988, quando reduziu de 48 para 44 horas também, havia um temor, havia um alarde de parte da sociedade, de parte do empresariado, que poderia haver demissões, recessão, aumento da inflação, aumento do custo de vida”, afirmou.
Na avaliação de Leite, a experiência de 1988 ajuda a entender por que uma jornada menor pode trazer ganhos para os trabalhadores e para as empresas.
“Nada disso aconteceu em 88 e o Brasil continuou crescendo, melhorou a vida das pessoas e nós enxergamos que isso vai ser muito positivo, vai melhorar a qualidade de vida, vai melhorar a produtividade”, disse.
OAB destaca manutenção dos salários
Hanna Longo Madi, representante da OAB, explicou que o simpósio teve como foco a aplicação prática das mudanças. Madi ressaltou que a redução da jornada e a ampliação do descanso semanal devem ocorrer com a manutenção dos salários.
Setor empresarial discute adaptação das escalas
A reportagem também ouviu Paulo Baria, empresário e advogado, e Manoel Carlos Torres, diretor do Sindicato das Empresas Contábeis. Entre os pontos levantados pelo setor empresarial estiveram a reorganização das escalas de acordo com a atividade de cada empresa e a negociação entre sindicatos de trabalhadores e de empregadores para preservar empregos e manter as empresas em atividade.
Ouvida separadamente pela TV TEM, a Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp) apontou o prazo de adaptação como uma das principais dificuldades para o comércio local. Segundo a entidade, reorganizar as escalas em dezembro é especialmente difícil porque as lojas precisam de mais pessoal para atender à demanda de fim de ano.
Leia também:
19º Encontro do Espado Cidadania aborda Lei de Cotas
19º Encontro do Espaço da Cidadania: 35 anos da Lei de Cotas e desafios para a inclusão


