PUBLICADO EM 26 de jun de 2026

Desemprego cai para 5,6% e atinge menor taxa para maio

Taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,6%, o menor nível desde 2012. Descubra as razões por trás dessa redução.

Emprego no setor público foi um dos responsáveis para manutenção da taxa de desemprego baixa

Emprego no setor público foi um dos responsáveis para manutenção da taxa de desemprego baixa. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, alcançando o menor patamar para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, iniciada em 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O resultado representa estabilidade em relação ao trimestre encerrado em fevereiro deste ano (5,8%) e uma redução de 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025, quando a taxa era de 6,2%.

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, embora a estabilidade seja um comportamento sazonal do mercado de trabalho nesta época do ano, o novo recorde indica uma tendência de aquecimento estrutural da economia.

“É um período em que os setores começam a olhar para o segundo semestre, mas atingir a mínima histórica para maio mostra que o mercado mantém uma trajetória de expansão e de absorção de mão de obra”, explicou.

A população desocupada foi estimada em 6,1 milhões de pessoas, mantendo-se praticamente estável em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, porém, houve redução de 9,3%, o equivalente a 624 mil pessoas a menos procurando emprego.

Já o número de ocupados alcançou 102,7 milhões de trabalhadores, alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior e de 0,8% em comparação com o mesmo período de 2025, o que representa um acréscimo de aproximadamente 840 mil pessoas empregadas.

O nível de ocupação — percentual de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar — chegou a 58,6%, permanecendo praticamente estável no trimestre e em relação ao ano anterior.

Mercado de trabalho aquecido favorece migração para empregos formais

Entre as diferentes formas de ocupação, o número de empregados do setor privado com carteira assinada permaneceu estável em 39,3 milhões de pessoas. Também não houve mudanças significativas entre os trabalhadores sem carteira assinada (13,4 milhões), os trabalhadores por conta própria (26 milhões) e os empregadores (4,2 milhões).

Por outro lado, o contingente de trabalhadores domésticos continuou em trajetória de retração. O grupo foi estimado em 5,4 milhões de pessoas e perdeu cerca de 328 mil postos de trabalho em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

Para o IBGE, a redução está ligada às oportunidades abertas em outras áreas da economia.

“Em cenários de baixa desocupação, o custo de oportunidade dessa força de trabalho aumenta, gerando uma migração estrutural para postos formais em outras atividades, que oferecem melhores salários, melhores condições de trabalho e mais garantias”, observou Kratochwill.

Emprego público cresce, mas renda recua

O número de empregados no setor público, incluindo servidores estatutários e militares, cresceu 3,6% no trimestre, alcançando 13,1 milhões de pessoas. Em relação ao mesmo período de 2025, o aumento foi de 2,8%, equivalente a cerca de 350 mil trabalhadores.

Apesar da expansão no emprego público, o rendimento médio mensal desse grupo caiu 3,1%, ou R$ 172 em termos reais. Segundo o IBGE, o resultado é influenciado pela contratação de servidores temporários e municipais com salários menores, além da rigidez dos reajustes salariais do setor.

Em contrapartida, houve aumento da renda média entre empregados com carteira assinada, trabalhadores domésticos e trabalhadores por conta própria.

Subutilização e desalento atingem mínimos históricos

Outro indicador que apresentou melhora foi a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que caiu para 13,3%, o menor nível desde o início da série histórica da PNAD Contínua.

A população subutilizada foi estimada em 15,1 milhões de pessoas, redução de 11,3% em um ano. Já a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas caiu para 4,1 milhões de pessoas.

Também houve queda expressiva no número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditarem não conseguir uma vaga. O contingente recuou para 2,4 milhões de pessoas, o menor nível dos últimos anos.

A taxa de informalidade, por sua vez, ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores, mantendo trajetória de leve redução em relação aos períodos anteriores.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam um cenário de fortalecimento do mercado de trabalho brasileiro, marcado pela geração de empregos, redução do desemprego e diminuição dos indicadores de subutilização da mão de obra.

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