
Apostas/Foto: Fabio Rodrigues/Agencia Brasil
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas e jogos de azar realizados em plataformas de bets em 2025. O valor corresponde à diferença entre o total apostado e o montante devolvido aos jogadores em forma de prêmios.
O levantamento considera as transferências realizadas por meio do Pix para as casas de apostas e aponta uma movimentação de quase R$ 351 bilhões no período analisado, entre outubro de 2024 e março de 2026. As perdas líquidas representam 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias.
Os dados fazem parte do Boletim Fiscal dos Estados, divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central.
De acordo com o estudo, a regulamentação das bets, que entrou em vigor em janeiro de 2025, foi acompanhada por mudanças no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação. O cenário indica que uma parcela maior da renda das famílias passou a ser comprometida com apostas.
Risco de dependência
A legislação que regulamentou as bets prevê que as empresas impeçam o acesso de usuários identificados como compulsivos. Na avaliação do advogado Júlio Leone, no entanto, a regra não vem sendo cumprida adequadamente.
“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital.”
O levantamento também aponta uma desaceleração no ritmo das transações a partir de outubro de 2025, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família.
Segundo o Comsefaz, a redução no volume agregado de transações após a medida indica que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.
O resultado reforça o alerta sobre o impacto das bets no orçamento doméstico, especialmente entre famílias de menor renda, e sobre os riscos associados ao endividamento e à dependência em jogos de aposta.
Com: Agência Brasil
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