PUBLICADO EM 06 de ago de 2026

Bancários cobram aumento real após impasse com banqueiros

Sem proposta da Fenaban, bancários reforçam mobilização por aumento real, valorização da PLR, igualdade de oportunidades e fim das demissões

Bancários cobram aumento real após impasse com banqueirosA sexta rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários ocorreu, nesta terça-feira, em São Paulo. Entretanto, a Fenaban novamente não apresentou proposta econômica à categoria.

Durante o encontro, os representantes dos bancos adiaram a resposta às reivindicações para 13 de agosto. Enquanto isso, o Comando Nacional dos Bancários reforçou unidade nacional.

Os banqueiros justificaram a ausência de proposta alegando impactos das reivindicações sobre lucratividade, concorrência e rentabilidade. Contudo, o Comando rejeitou integralmente essa argumentação apresentada pelos representantes.

Além disso, a Fenaban defendeu que a Participação nos Lucros e Resultados não receba reajuste. Entretanto, os bancários reafirmaram que não abrirão mão dessa valorização.

Reivindicações nacionais

O Comando destacou que a pauta foi construída coletivamente, reunindo reivindicações nacionais. Entre elas, estão aumento real, valorização dos benefícios e reajuste do piso salarial.

Os bancários reivindicam reposição integral da inflação acrescida de cinco por cento, aumento do piso conforme cálculo do Dieese, valorização dos vales e da PLR.

Banqueiros podem atender às reivindicações

Segundo o Comando Nacional, os bancos possuem capacidade financeira para atender às reivindicações. Em 2025, os cinco maiores bancos brasileiros registraram lucro de R$ 124 bilhões.

Somente no primeiro trimestre deste ano, essas instituições acumularam R$ 29,8 bilhões em lucros. Além disso, mantiveram patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1,2 trilhão.

Outro dado apresentado revelou que as receitas com tarifas cobriram integralmente as despesas de pessoal, incluindo a PLR, mantendo ainda margem financeira positiva significativa.

“Os bancos têm plenas condições de atender às reivindicações. Dos 7.858 reajustes salariais negociados até junho de 2026, 87,5% ficaram acima da inflação medida pelo INPC. Ou seja, com aumento real. Não há justificativa para que justamente um dos setores mais lucrativos do país se recuse a valorizar seus empregados”, avalia Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

“Desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego. A expectativa da categoria é grande por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos vales refeição e alimentação e no piso da categoria. Os bancários também exigem o fim das demissões em massa e do fechamento de agências”, destaca a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Na retomada das discussões sobre Igualdade de Oportunidades, representantes debateram iniciativas voltadas às mulheres. Contudo, o Comando defendeu mudanças estruturais e permanentes no setor.

Após apresentação sobre formação profissional feminina, os dirigentes cobraram políticas efetivas para ampliar contratações, garantir igualdade salarial, promover ascensão profissional e combater discriminações históricas persistentes.

“A proposta de um curso de formação, sobretudo, quando acompanhada de construção de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas isso não é suficiente para mudanças estruturais. Nosso desejo é que a Fenaban apresente, também, um plano de ação que corresponda às nossas reivindicações por mais contratações, igualdade de oportunidades, ascensão na carreira e salários iguais entre homens e mulheres”, destaca a presidenta do Sindicato.

“As desigualdades entre homens e mulheres começam antes mesmo da contratação. As mulheres enfrentam mais barreiras para ingressar no setor, muitas vezes por conta da sobrecarga com o trabalho de cuidados. Depois de contratadas, convivem com maior rotatividade, maior incidência de assédio, violência e impactos mais intensos na saúde mental. Soma-se a isso o chamado teto de vidro, que dificulta o acesso aos cargos de liderança, a penalização da maternidade e a dupla jornada. Enfrentar essas desigualdades exige um plano de ação que contemple a inclusão, permanência e ascensão das mulheres no setor bancário”, acrescenta Neiva Ribeiro.

Os bancários também apresentaram dados sobre desigualdade de gênero e raça, destacando diferenças salariais, baixa representatividade feminina e obstáculos persistentes para alcançar cargos estratégicos.

Ao encerrar a negociação, o Comando Nacional cobrou proposta global compatível com a rentabilidade bancária. A próxima rodada entre bancários e Fenaban acontecerá em 13 de agosto.

“Cobramos que os banqueiros apresentem uma proposta global compatível com um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia. Estaremos mobilizados, em todo o país, bancários e bancárias de bancos públicos e privados, movidos pela valorização”, conclui a presidenta do Sindicato.

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