A sexta rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários ocorreu, nesta terça-feira, em São Paulo. Entretanto, a Fenaban novamente não apresentou proposta econômica à categoria.
Durante o encontro, os representantes dos bancos adiaram a resposta às reivindicações para 13 de agosto. Enquanto isso, o Comando Nacional dos Bancários reforçou unidade nacional.
Os banqueiros justificaram a ausência de proposta alegando impactos das reivindicações sobre lucratividade, concorrência e rentabilidade. Contudo, o Comando rejeitou integralmente essa argumentação apresentada pelos representantes.
Além disso, a Fenaban defendeu que a Participação nos Lucros e Resultados não receba reajuste. Entretanto, os bancários reafirmaram que não abrirão mão dessa valorização.
Reivindicações nacionais
O Comando destacou que a pauta foi construída coletivamente, reunindo reivindicações nacionais. Entre elas, estão aumento real, valorização dos benefícios e reajuste do piso salarial.
Os bancários reivindicam reposição integral da inflação acrescida de cinco por cento, aumento do piso conforme cálculo do Dieese, valorização dos vales e da PLR.
Banqueiros podem atender às reivindicações
Segundo o Comando Nacional, os bancos possuem capacidade financeira para atender às reivindicações. Em 2025, os cinco maiores bancos brasileiros registraram lucro de R$ 124 bilhões.
Somente no primeiro trimestre deste ano, essas instituições acumularam R$ 29,8 bilhões em lucros. Além disso, mantiveram patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1,2 trilhão.
Outro dado apresentado revelou que as receitas com tarifas cobriram integralmente as despesas de pessoal, incluindo a PLR, mantendo ainda margem financeira positiva significativa.
“Os bancos têm plenas condições de atender às reivindicações. Dos 7.858 reajustes salariais negociados até junho de 2026, 87,5% ficaram acima da inflação medida pelo INPC. Ou seja, com aumento real. Não há justificativa para que justamente um dos setores mais lucrativos do país se recuse a valorizar seus empregados”, avalia Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
“Desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego. A expectativa da categoria é grande por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos vales refeição e alimentação e no piso da categoria. Os bancários também exigem o fim das demissões em massa e do fechamento de agências”, destaca a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Na retomada das discussões sobre Igualdade de Oportunidades, representantes debateram iniciativas voltadas às mulheres. Contudo, o Comando defendeu mudanças estruturais e permanentes no setor.
Após apresentação sobre formação profissional feminina, os dirigentes cobraram políticas efetivas para ampliar contratações, garantir igualdade salarial, promover ascensão profissional e combater discriminações históricas persistentes.
“A proposta de um curso de formação, sobretudo, quando acompanhada de construção de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas isso não é suficiente para mudanças estruturais. Nosso desejo é que a Fenaban apresente, também, um plano de ação que corresponda às nossas reivindicações por mais contratações, igualdade de oportunidades, ascensão na carreira e salários iguais entre homens e mulheres”, destaca a presidenta do Sindicato.
“As desigualdades entre homens e mulheres começam antes mesmo da contratação. As mulheres enfrentam mais barreiras para ingressar no setor, muitas vezes por conta da sobrecarga com o trabalho de cuidados. Depois de contratadas, convivem com maior rotatividade, maior incidência de assédio, violência e impactos mais intensos na saúde mental. Soma-se a isso o chamado teto de vidro, que dificulta o acesso aos cargos de liderança, a penalização da maternidade e a dupla jornada. Enfrentar essas desigualdades exige um plano de ação que contemple a inclusão, permanência e ascensão das mulheres no setor bancário”, acrescenta Neiva Ribeiro.
Os bancários também apresentaram dados sobre desigualdade de gênero e raça, destacando diferenças salariais, baixa representatividade feminina e obstáculos persistentes para alcançar cargos estratégicos.
Ao encerrar a negociação, o Comando Nacional cobrou proposta global compatível com a rentabilidade bancária. A próxima rodada entre bancários e Fenaban acontecerá em 13 de agosto.
“Cobramos que os banqueiros apresentem uma proposta global compatível com um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia. Estaremos mobilizados, em todo o país, bancários e bancárias de bancos públicos e privados, movidos pela valorização”, conclui a presidenta do Sindicato.


