PUBLICADO EM 30 de ago de 2026

Trabalhadores realizam atos pela redução da jornada e fim da escala 6×1

Em todo o Brasil o domingo foi de manifestações de trabalhadores e seus sindicatos. Mobilizações pressionam o Senado a aprovar a PEC que prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e o fim da escala 6×1

Centenas se uniram em São Paulo pela redução da jornada. Entenda a importância dessa mobilização em todo o Brasil.

Milhares se uniram em São Paulo pela redução da jornada. Entenda a importância dessa mobilização em todo o Brasil.

Milhares de trabalhadores, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais ocuparam, na manhã deste domingo (30), o vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na Avenida Paulista, em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

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A mobilização em São Paulo fez parte de uma série de atos realizados simultaneamente em capitais de todas as regiões do país. As manifestações aconteceram às vésperas de uma semana considerada decisiva para a tramitação, no Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da jornada de trabalho.

Além da capital paulista, trabalhadores foram às ruas em Salvador, Curitiba, Fortaleza, Natal, Aracaju, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Luís, Belém e Goiânia, em uma mobilização nacional convocada pelas centrais sindicais, movimentos sociais e organizações populares.

“A luta faz a lei”

Presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres destacou o caráter histórico da mobilização e a importância da unidade entre trabalhadores, centrais sindicais e movimentos sociais.

“A luta faz a lei. Esse é um dia histórico em todo o território nacional, que é um dia de mobilização nacional pelo fim da escala 6 por 1 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais”, afirmou.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical/Foto: Jaelcio Santana

Segundo Miguel Torres, a mobilização demonstra a força da unidade do movimento sindical e da organização dos trabalhadores na luta pela aprovação da proposta.

“Em todas as capitais estamos fazendo atos no dia de hoje, na unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, das centrais sindicais e dos movimentos sociais, para que a gente consiga, já na semana que vem, dar esse passo importantíssimo para a nossa sociedade e para os trabalhadores e trabalhadoras.”

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, também ressaltou o caráter simbólico da manifestação realizada na Avenida Paulista e afirmou que a mobilização ocorre às portas de uma possível conquista histórica da classe trabalhadora.

“Quero cumprimentar a todos e todas e parabenizar o movimento sindical, todas as centrais sindicais, o movimento social e o movimento popular por essa manifestação tão bela aqui na Avenida Paulista, tão importante e tão simbólica.”

Sergio Nobre, presidente da CUT

Sergio Nobre, presidente da CUT

Sérgio lembrou que a redução da jornada para 40 horas semanais é uma reivindicação histórica da Central Única dos Trabalhadores. Segundo ele, a CUT completou 43 anos de existência mantendo a mesma bandeira aprovada desde o seu congresso de fundação.

“Nós estamos perto de uma conquista histórica. Minha central completou agora 43 anos de vida e, no seu congresso de fundação, já reivindicava a redução da jornada para 40 horas semanais. São 43 anos de luta.”

A CTB participou ativamente do ato, ao lado de suas entidades filiadas, reforçando a unidade do movimento sindical em defesa de uma jornada mais justa, com mais tempo para o descanso, o lazer, a convivência familiar e a qualidade de vida.

O presidente da CTB-SP, Rene Vicente, destacou a importância da mobilização e convocou a classe trabalhadora a pressionar os senadores de São Paulo. “É necessário pressionarmos os senadores que representam o estado de São Paulo para que eles votem a favor da classe trabalhadora”, afirmou o presidente estadual.

“Tempo é vida”

Em sua fala, Sérgio Nobre destacou que o debate sobre a jornada de trabalho vai além da quantidade de horas trabalhadas e está diretamente ligado ao direito ao descanso, ao lazer e à convivência familiar.

“A gente sempre disse que o trabalho é importante na vida de qualquer pessoa, mas a gente tem que trabalhar para viver, e não o contrário: viver para trabalhar.”

Ao citar uma das faixas presentes na manifestação, o presidente da CUT resumiu a principal reivindicação do movimento: “Fim da escala 6 por 1. Tempo é vida”.

Para explicar a realidade de milhões de trabalhadores submetidos a longas jornadas, Sérgio contou a conversa que teve com uma jovem trabalhadora de um restaurante.

Segundo ele, a jovem começava a trabalhar às 11h para servir o almoço e só deixava o local quando o último cliente ia embora, muitas vezes perto da meia-noite ou até de madrugada. A jornada se repetia de segunda-feira a sábado.

Quando perguntou o que ela fazia aos domingos, Sérgio relatou que recebeu uma resposta que, para ele, revela a dimensão humana da luta pelo fim da escala 6×1.

“Ela falou: ‘Não, eu durmo. Eu durmo o dia inteiro para poder descansar e, na segunda-feira, começar tudo de novo.’”

O presidente da CUT questionou se essa rotina poderia ser considerada uma vida digna, especialmente para uma trabalhadora jovem.

“São milhões e milhões de mulheres, homens e jovens que não têm direito à vida. É por eles que nós estamos aqui lutando. É por eles que nós temos que fazer passar no Senado.”

Centrais sindicais com sindicatos filiados presentes no ato da Paulista

Centrais sindicais com sindicatos filiados presentes no ato da Paulista

Semana decisiva no Senado

A mobilização nacional acontece em meio à expectativa pela votação do relatório da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

No sábado (29), durante um ato de campanha em Belo Horizonte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter confiança de que a proposta será aprovada pelo Senado ainda nesta semana.

Segundo Lula, houve um entendimento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a PEC avance no Congresso Nacional.

O acordo prevê a inclusão da proposta na pauta da próxima reunião da CCJ, marcada para quarta-feira (2). Caso seja aprovada pela Comissão, a expectativa é de que a proposta seja encaminhada para votação no plenário do Senado.

Para Miguel Torres, a aprovação da proposta dependerá da continuidade da mobilização dos trabalhadores e da pressão sobre os parlamentares.

“Isso está nas nossas mãos, está na nossa mobilização. A nossa mobilização tem que continuar até o final da votação no Senado Federal. É nas redes sociais, é no contato lá em Brasília.”

Miguel informou ainda que as centrais sindicais pretendem reforçar a pressão sobre os senadores nos próximos dias.

“A partir de amanhã, as centrais sindicais estarão em Brasília, fazendo essa corrida entre os gabinetes para que a gente garanta que, até o dia 4, nós tenhamos essa votação no plenário do Senado.”

Sérgio Nobre também convocou os trabalhadores a se engajarem nas mobilizações que devem ocorrer ao longo da semana.

“A partir de amanhã, vamos estar lá em Brasília, as centrais sindicais, de gabinete em gabinete, pressionando os senadores.”

Segundo o presidente da CUT, a mobilização deverá ocorrer tanto em Brasília quanto nas ruas das cidades brasileiras.

“Vamos fazer atos nas ruas do Brasil inteiro. Vamos para os metrôs entregar material para o povo pressionar os senadores. Vamos trabalhar muito.”

Pressão dos empresários

Durante sua intervenção, Sérgio Nobre também alertou que os trabalhadores não estarão sozinhos na disputa pela aprovação da proposta no Senado.

O presidente da CUT afirmou que representantes do setor empresarial também deverão atuar junto aos parlamentares, tentando influenciar o debate sobre a redução da jornada de trabalho.

“Nós não estamos sozinhos na luta. Pode ter certeza de que a Fiesp, que está ali, a CNI, os empresários vão estar lá também pressionando os senadores.”

Por isso, segundo ele, é fundamental ampliar a participação dos trabalhadores nas mobilizações e na pressão direta sobre os parlamentares.

“É importante que cada um de nós que estamos aqui se engaje nas mobilizações da semana para pressionar os senadores e a gente ter essa vitória histórica.”

Sérgio afirmou estar confiante na aprovação da proposta.

“Estou convencido de que será uma grande vitória, que vai marcar a nossa trajetória por muitos e muitos anos. Nós estamos muito perto e tenho muita fé.”

Uma luta histórica da classe trabalhadora

Durante sua fala no ato do Masp, Miguel Torres também relacionou a luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho à longa história de organização e resistência da classe trabalhadora brasileira.

“A luta sempre fez parte da vida do trabalhador e da trabalhadora. Não existe um direito que nós temos que não veio da luta dos trabalhadores, que não veio pelo movimento sindical organizado.”

Segundo ele, as conquistas trabalhistas foram resultado de décadas de mobilização, enfrentando momentos de repressão e perseguição ao movimento sindical.

“Desde 1917, nós temos essa luta constante de avanço e de proteção aos direitos dos trabalhadores. Nada foi de graça, nada caiu do céu. Sempre foi da mobilização, sempre foi da organização.”

Miguel lembrou ainda os períodos de ditadura e perseguição enfrentados pelos trabalhadores e seus representantes ao longo da história.

“Nesses períodos, nós enfrentamos muita coisa: ditaduras, perseguições, prisões, mortes, torturas. E isso faz parte da luta. Essa luta foi construída por nós, trabalhadores e trabalhadoras. Não é uma luta de agora, é uma luta desde a nossa existência de organização dos trabalhadores e trabalhadoras.”

Para o dirigente, a aprovação da redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, e do fim da escala 6×1 pode representar mais uma importante conquista para a classe trabalhadora.

“Mais um momento desse, um momento importante da nossa história, que nós possamos ganhar mais essa, que é a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e também o fim da escala 6 por 1.”

Atos em todo o país

Além de São Paulo, trabalhadores foram às ruas em Salvador, Curitiba, Fortaleza, Natal, Aracaju, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Luís, Belém e Goiânia.

Em Salvador, o ato começou às 9h, no Morro do Cristo, com caminhada até o Farol da Barra e participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além de outros artistas.

No Rio de Janeiro, a concentração ocorreu às 10h, no Posto 5, em Copacabana. Em Porto Alegre, trabalhadores se reuniram no Parque da Redenção, também às 10h.

Houve ainda mobilizações em Curitiba, Fortaleza, Natal, Aracaju, São Luís, Belém e Goiânia.

Outras atividades estão programadas para os próximos dias. Em Brasília, trabalhadores devem realizar mobilizações nos dias 1º, 2 e 3 de setembro, a partir das 14h, em frente ao Anexo II do Senado, pela Via N2, com o objetivo de pressionar diretamente os parlamentares.

Em Vitória (ES), está prevista uma concentração no dia 31 de agosto, às 16h30, na Praça 8.

No Recife (PE), uma atividade foi realizada no dia 28 de agosto, na Rua da Guia, em frente ao Teatro Mamulengo, como parte da programação comemorativa pelo aniversário da CUT-PE.

Para o secretário de Mobilização da CUT-SP, Osvaldo Bezerra, conhecido como Pipoka, a mobilização dos trabalhadores é fundamental para garantir a aprovação da proposta.

“Não estamos pedindo privilégio: estamos cobrando o direito para que os trabalhadores possam viver com dignidade, tendo mais tempo com a família e descansar. É hora de pressão total para que o Senado vote e aprove essa conquista”, afirmou Pipoka.

Defesa da reeleição de Lula

No encerramento de suas falas, Miguel Torres e Sérgio Nobre também defenderam a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições.

Miguel Torres afirmou que os trabalhadores devem atuar de forma organizada no processo eleitoral.

“Temos lado, e o nosso lado é o lado de reeleger o companheiro Lula no primeiro turno.”

Sérgio Nobre acrescentou que, além da eleição presidencial, a classe trabalhadora deve buscar ampliar sua representação no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

“Não adianta só eleger o presidente Lula. Nós temos que fazer uma bancada de senadores que tenha a cara e o projeto da classe trabalhadora. Eleger deputados federais — e estaduais também — que tenham a cara e a pauta do povo.”

O presidente da CUT afirmou que a defesa dos direitos dos trabalhadores passa também pela escolha de parlamentares comprometidos com a redução da jornada de trabalho e com as pautas populares.

O ato no Masp terminou com manifestações de apoio à redução da jornada, ao fim da escala 6×1 e com palavras de ordem em defesa da unidade da classe trabalhadora.

“Trabalhador unido jamais será vencido!”

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