PUBLICADO EM 22 de set de 2026

Salário recupera poder de compra de alimentos desde 2023

Valorização do mínimo, emprego e programas de renda ampliam poder de compra, enquanto preços dos alimentos ainda pesam no orçamento

Salário recupera poder de compra de alimentos desde 2023

A recuperação da renda desde 2023 ampliou a capacidade das famílias para comprar alimentos, embora os preços ainda representem parcela importante do orçamento doméstico.

Nesse cenário, analisar somente os preços nas prateleiras não revela completamente a situação. A renda também determina quanto cada trabalhador consegue efetivamente comprar.

Além disso, preço e poder de compra representam indicadores diferentes. Mesmo com alimentos caros, salários maiores podem reduzir proporcionalmente o peso dessas despesas familiares.

Desde 2023, o governo retomou uma política de valorização do salário mínimo, garantindo reajustes que consideram inflação e crescimento econômico dentro das regras estabelecidas.

Em 2026, o salário mínimo chegou a R$ 1.621, conforme decreto federal. O valor também influencia benefícios previdenciários e outros pagamentos vinculados ao piso.

Exemplo em números reais

A trajetória recente do salário mínimo mostra crescimento nominal contínuo. Entretanto, o ganho real depende da diferença entre cada reajuste concedido e a inflação registrada.

Salário mínimo por ano:

  • 2018 — R$ 954
  • 2019 — R$ 998
  • 2020 — R$ 1.045
  • 2021 — R$ 1.100
  • 2022 — R$ 1.212
  • 2023 — R$ 1.320
  • 2024 — R$ 1.412
  • 2025 — R$ 1.518
  • 2026 — R$ 1.621

O valor vigente de R$ 1.621 está estabelecido oficialmente desde janeiro de 2026.

Emprego e programas de renda

Além do salário mínimo, emprego e programas sociais influenciam diretamente a renda disponível das famílias e sua capacidade para enfrentar despesas básicas mensais.

O Bolsa Família também integra esse cenário. Em setembro, o governo anunciou reajuste dos benefícios, com novo valor mínimo de R$ 691 em outubro.

Essas medidas não reduzem automaticamente os preços encontrados nos supermercados. Contudo, aumentos da renda podem diminuir proporcionalmente o comprometimento financeiro das famílias com alimentação.

Os indicadores mostram movimentos diferentes nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, a alimentação no domicílio acumulou aumento expressivo de 8,23%.

Por outro lado, houve forte desaceleração em 2025. Segundo o IBGE, a alimentação no domicílio encerrou aquele ano com alta de apenas 1,43%.

Ainda assim, alimentos voltaram a exercer pressão em determinados períodos de 2026. Em maio, a alimentação no domicílio registrou aumento mensal de 1,65%.

Reconstrução não acontece de uma hora para outra

Desde 2023, o governo federal também retomou políticas voltadas ao abastecimento e aos estoques públicos, buscando ampliar instrumentos disponíveis para enfrentar oscilações de oferta.

Entretanto, políticas de abastecimento exigem produção, aquisição, transporte, fiscalização e armazenamento. Dessa forma, seus resultados dependem de implementação contínua e aparecem gradualmente.

Os estoques reguladores não impedem todas as altas, especialmente aquelas provocadas por fatores climáticos, internacionais, produtivos ou por outras mudanças na oferta disponível.

Ainda assim, instrumentos públicos de abastecimento podem ampliar a capacidade estatal de resposta diante de escassez, problemas produtivos ou oscilações acentuadas no mercado alimentar.

com informações da CUT

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