
Deputados democratas denunciam o bloqueio a Cuba, descrevendo a situação como uma ‘Gaza silenciosa’ em suas declarações impactantes. Cubanos nas ruas após um apagão | Crédito: Antonio LEVI / AFP
Quatro deputados democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que viajaram a Cuba na primeira semana de julho de 2026, condenaram o bloqueio energético imposto pelo governo Trump, alertando que ele transformou a ilha socialista no que um deles descreveu como uma “Gaza silenciosa”.
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Os deputados Mark Pocan (Wisconsin), Teresa Leger Fernández (Novo México), Maxine Dexter (Oregon) e Delia Ramírez (Illinois) passaram cinco dias em Havana, reunindo-se com o presidente Miguel Díaz-Canel, ministros do governo, profissionais da saúde, líderes empresariais e cubanos comuns que enfrentam os efeitos devastadores do bloqueio. A viagem e a linguagem contundente usada pelos parlamentares após o retorno contrastam com a histórica recusa de Washington em reconhecer o custo humano de sua política em relação a Cuba.
Emergência Humanitária
O governo Trump endureceu as restrições ao fornecimento de energia para Cuba em janeiro, após o sequestro, pelos militares dos Estados Unidos, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, e desde então vem ameaçando impor tarifas a qualquer país que se atreva a vender combustível para Havana.
O resultado, segundo os parlamentares que visitaram a ilha, é uma emergência humanitária: apagões que duram mais de 20 horas por dia, transporte público praticamente paralisado, voos cancelados, colapso do setor de turismo e locais de trabalho incapazes de manter as luzes acesas.
“Talvez não haja bombardeios, mas certamente existem condições que impedem as pessoas de levar sua vida cotidiana”, afirmou Pocan, relatando a descrição que ouviu de um cubano durante a visita.
“Eles não conseguem ir ao trabalho, não conseguem conservar seus alimentos, não têm acesso a suprimentos médicos, nem podem viver como viviam antes.” Ele acrescentou que a comparação com Gaza, feita por cubanos que vivem sob o bloqueio, lhe pareceu “apropriada”.
Ausência de negociação diplomática
Pocan também criticou o secretário de Estado Marco Rubio, filho de exilados cubanos que construiu sua carreira política nos círculos da extrema direita da comunidade cubano-americana em Miami. “Acho que Marco Rubio está tratando isso como uma questão pessoal, e não profissional”, disse Pocan, apontando a ausência de qualquer negociação diplomática ativa entre Washington e Havana, apesar de ambos os governos reconhecerem que houve contatos anteriores.
Segundo informações divulgadas, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, teria assumido o papel de intermediário informal, realizando uma reunião secreta com Rubio em fevereiro.
Por sua vez, Maxine Dexter e Delia Ramírez prometeram apresentar emendas no Congresso destinadas a reduzir os impactos do bloqueio sobre o sistema de saúde cubano e impedir qualquer nova escalada unilateral, incluindo uma eventual ação militar, sem a aprovação do Congresso.
A visita da delegação ocorre em um momento em que o governo cubano continua denunciando o bloqueio como uma forma de punição coletiva contra seu povo — uma caracterização confirmada pelas dificuldades diárias relatadas pelos moradores da ilha.
À medida que movimentos de solidariedade em todo o mundo renovam os apelos pelo fim definitivo do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, o testemunho desses quatro membros do Congresso acrescenta um novo e importante peso, baseado em experiência direta, a essa reivindicação.
Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy
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