PUBLICADO EM 21 de set de 2026

A memória fiel do 11 de Setembro exige que enfrentemos as mentiras

Explore a celebração do 25º aniversário do 11 de Setembro, lembrando a dor e a coragem e a manipulação política que emergiram desse dia.

O voo 175 da United Airlines colide com a torre sul do complexo do World Trade Center, em Nova York, durante os ataques de 11 de setembro.

O voo 175 da United Airlines colide com a torre sul do complexo do World Trade Center, em Nova York, durante os ataques de 11 de setembro.

Por Rev. Dr. William J. Barber II

A celebração do 25º aniversário do 11 de Setembro, neste mês, me fez voltar à minha própria experiência naquela manhã de outono de 2001. Eu estava no meio de um culto de oração, acabara de segurar meu filho, ainda bebê, quando recebemos a notícia de que o primeiro avião havia atingido a Torre Norte do World Trade Center.

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Não consigo esquecer aquele momento, nem os momentos devastadores que se seguiram. Nenhum de nós consegue.

Mas, enquanto nossa nação encerra mais um aniversário do 11 de Setembro, essas memórias estão sendo profanadas, à medida que, tragicamente, nos vemos não apenas envolvidos em mais uma guerra no Oriente Médio, mas também novamente conduzidos por informações falsas, medidas inconstitucionais e um profundo fracasso moral.

Nenhum de nós que estava vivo em 11 de setembro de 2001 pode esquecer a angústia daquele dia terrível. Lembramos da violência e da covardia dos ataques. Lembramos da dor das perdas e do choque que sentimos quando o mundo que conhecíamos foi virado de cabeça para baixo.

Em meio àquele terror, contudo, também nos lembramos da sincera manifestação de coragem, compaixão e solidariedade que vimos — desde os socorristas (first responders) que correram em direção à tragédia até as famílias que se abraçaram para afastar o medo e a tristeza.

Infelizmente, nos dias, meses e anos que se seguiram aos ataques, o povo americano foi enganado repetidamente. Os chamados líderes exploraram nosso trauma nacional, dizendo que, para garantir nossa própria sobrevivência e eliminar as armas de destruição em massa (weapons of mass destruction) que ameaçavam nossas famílias, os Estados Unidos precisavam entrar em guerra.

Agora sabemos não apenas que essas alegações eram completamente falsas, mas também que esse engano custou mais de 100 mil vidas e mais de US$ 3 trilhões.

Irã

É dolorosover a nação marcar este aniversário enquanto assistimos à mesma coisa acontecer novamente.

Repetidamente, nos últimos seis meses, as alegações feitas pelo atual governo sobre as operações no Irã foram comprovadas como falsas, quando não pelos fatos no terreno, então pelas próprias contradições do governo. Enquanto isso, estamos envolvidos em uma guerra ilegal e imoral, sem aprovação do Congresso, e os custos continuam aumentando, à medida que ela rouba nossa energia, rouba nossos salários e rouba as vidas de nossos militares e de civis inocentes… até mesmo de crianças.

Os custos continuam aumentando porque, enquanto nossos líderes desperdiçam bilhões em bombas, balas e insanidade, deixam de garantir assistência médica para nossa população, recusam-se a pagar aos trabalhadores pobres e de baixos salários um salário digno e mantêm a educação pública subfinanciada, ao mesmo tempo em que deixam sem resposta a devastação ecológica.

Quando o Dr. Martin Luther King Jr. rompeu seu silêncio sobre a Guerra do Vietnã, décadas atrás, alertou que uma nação que continua, ano após ano, gastando mais dinheiro com defesa militar do que com programas de promoção do bem-estar social está se aproximando da morte espiritual. Hoje, estamos vivendo essa advertência.

Guerra ilegal e imoral

Há um vazio trágico e enorme no centro da alma de nossa nação. Estampamos “Em Deus Confiamos” (“In God We Trust”) em nossa moeda, mas nossos líderes demonstram, por meio de suas ações, que sua fé está apenas nos mecanismos da guerra e do medo.

Essa é a realidade que enfrentamos e, sem um profundo arrependimento nacional e sem a coragem do povo para se manifestar e desafiar essa violência, nossa sociedade continuará mergulhando em uma espiral de decadência.

É por isso que, durante mais de 15 semanas neste ano, permanecemos do lado de fora da Casa Branca para pregar, protestar, transmitir ao vivo (live-stream) e dar testemunho. É por isso que, ao lado de uma coalizão diversa e unificada de líderes religiosos, estamos criticando duramente não apenas a legalidade desta guerra, mas sua absoluta imoralidade. É por isso que estamos nos levantando e convocando todas as pessoas de consciência a se juntarem a nós, renunciarem a seu conforto e darem testemunho.

Nossa presença pode não alterar imediatamente o curso desses chamados líderes. Mas é preciso haver um testemunho fiel que exija que finalmente deixemos de aprender a guerra (“study war no more”). Precisamos dizer a verdade e denunciar que continuar vivendo pela violência é um sinal da realidade bárbara que permanece sem redenção no coração de nossa nação. Precisamos ser esse testemunho.

Acredito na graça que os americanos demonstraram 25 anos atrás, na esteira do 11 de Setembro, e sou grato aos socorristas que correram em direção ao perigo para salvar a vida de seus irmãos e irmãs; aos professores que confortaram estudantes aterrorizados com a possibilidade de serem as próximas vítimas; e a todos que estenderam a mão a um completo desconhecido porque acreditavam que podemos contar uns com os outros.

Acredito na graça que a América demonstrou em 11 de Setembro. É por isso que precisamos nos manifestar contra aqueles que se aproveitaram daquela tragédia naquela época — e contra aqueles que continuam fazendo isso hoje.

Rev. Dr. William J. Barber II é um tradicional ministro protestante americano, ativista social, professor de Teologia Pública e Políticas Públicas e diretor fundador do Centro de Teologia Pública e Políticas Públicas da Escola de Divindade de Yale  e da Poor People’s Campaign. É autor de The Third Reconstruction: How a Moral Mov.

Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy,

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