
Ricardo Patah: o fim das bets pode transformar o orçamento das famílias e movimentar o mercado de consumo no Brasil.
O ponto central é direto: cerca de R$ 100 milhões por dia que vinham sendo transferidos para as plataformas de apostas poderão deixar de ser drenados dos bolsos dos brasileiros e permanecer no orçamento das famílias e no mercado de consumo.
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O dinheiro, que antes era destinado às bets, poderá ser utilizado para comprar alimentos, roupas, medicamentos, pagar contas, frequentar restaurantes, utilizar serviços, fazer compras no comércio e atender outras necessidades das famílias brasileiras.
Isso significa que recursos que estavam sendo direcionados para uma atividade que provocou endividamento e dependência poderão voltar a movimentar o comércio, os serviços, a produção e, consequentemente, a geração de emprego e renda.
É dinheiro que pode sair da aposta e voltar para o supermercado, para o comércio, para os serviços e para dentro das famílias.
Todo o movimento sindical brasileiro já vinha alertando sobre os efeitos das bets. No dia a dia, dirigentes sindicais e trabalhadores(as) tiveram contato com histórias de pessoas que perderam grandes quantias, contraíram dívidas e enfrentaram problemas familiares em consequência do vício em jogos.
A UGT entende que essa realidade não pode ser tratada simplesmente como uma questão de entretenimento. Quando o dinheiro destinado à alimentação, ao consumo e às necessidades básicas começa a ser transferido para plataformas de apostas, toda a família sofre e a própria economia real perde recursos.
Uma mudança que atinge o bolso e a vida das famílias
As apostas de quota fixa foram autorizadas pela legislação de 2018 e, posteriormente, regulamentadas durante o governo Lula, em 2023. A regulamentação buscou estabelecer regras para o funcionamento do setor, mas a experiência dos anos seguintes mostrou a dimensão dos problemas relacionados às apostas e ao crescimento dos casos de ludopatia.
Para a UGT, chegou-se a um ponto em que não bastava mais regulamentar: era necessário interromper a atividade.
Há anos já haviamos alertado para essa realidade no artigo “Bets: o câncer social e econômico que precisa ser extirpado”, no qual defendia que os jogos de azar não poderiam ser encarados simplesmente como atividades recreativas ou de entretenimento.
Por isso, a UGT considera que o fim das bets pode representar uma oportunidade para recuperar parte do poder de compra das famílias e fortalecer a economia que efetivamente produz, comercializa, presta serviços e gera empregos.
Se antes bilhões eram direcionados às apostas, agora a expectativa é que uma parcela significativa desses recursos volte a circular onde realmente faz diferença: no orçamento das famílias e na economia real.
Ricardo Patah é presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo


