
Cerca de 175 mil pessoas protestaram na Alemanha por políticas sociais, defendendo empregos e direitos trabalhistas. Imagem: redes sociais do IG Metall
Cerca de 175 mil pessoas foram às ruas em 15 cidades da Alemanha no sábado, 26 de setembro, em um dia nacional de protestos por políticas sociais. Entre os manifestantes estavam trabalhadores e trabalhadoras da indústria metalúrgica, mobilizados em defesa dos empregos, da saúde pública, da previdência e dos direitos trabalhistas. O balanço de público foi divulgado pelo sindicato IG Metall.
Leia também:
Trabalhadores protestam na Alemanha
A jornada foi convocada pela Confederação Alemã de Sindicatos (DGB) e por seus sindicatos filiados sob o lema “Conquistado com muito esforço: seu trabalho, sua saúde, sua aposentadoria”. As manifestações ocorreram em cidades como Frankfurt, Berlim, Nuremberg, Saarbrücken, Leipzig e Essen. DGB
Em Frankfurt, a metalúrgica Katharina Lenz participou do ato com seus dois filhos. Ao IG Metall, ela disse que foi às ruas para defender um futuro com proteção social para eles. Lenz criticou a possibilidade de cortes em benefícios e aposentadorias e a exigência de atestado médico já no primeiro dia de afastamento por doença.
“Precisamos defender nossos direitos conquistados com muita luta”, afirmou, segundo o relato publicado pelo sindicato.
A insatisfação dos manifestantes também se dirige às propostas de flexibilização da jornada de oito horas e às pressões contra a semana de 35 horas negociada na indústria metalúrgica. Para os trabalhadores, o debate sobre trabalhar mais e restringir afastamentos por doença desconsidera as condições enfrentadas diariamente em fábricas e linhas de produção.
No ato de Nuremberg, Christiane Benner, primeira presidente do IG Metall, afirmou que os trabalhadores precisam de respeito, segurança e estabilidade e não devem pagar pelos custos da crise. Ela defendeu a redução da jornada, formas graduais de aposentadoria e o direito à aposentadoria integral após 45 anos de contribuição.
Em Berlim, o segundo presidente do sindicato, Jürgen Kerner, criticou os ataques à jornada de oito horas e às regras de aposentadoria. Já Ralf Reinstädtler, responsável pela área social do IG Metall, ressaltou em Saarbrücken que previdência, saúde, assistência e benefícios familiares são direitos conquistados pela mobilização dos trabalhadores.
Reivindicações
Além de se oporem aos cortes, os sindicatos apresentaram uma agenda de reivindicações:
- investimentos e política industrial para preservar empregos;
- horários de trabalho previsíveis e proteção da negociação coletiva;
- serviços de saúde e cuidados acessíveis;
- e aposentadorias que garantam condições dignas de vida.
O IG Metall também defende que a ampliação dos investimentos seja financiada com maior contribuição de quem possui grandes patrimônios.
Para o sindicato, fortalecer a proteção social é parte da resposta à insegurança econômica. Uma pesquisa citada pelo IG Metall aponta o custo de vida, os gastos com saúde e a renda na velhice entre as principais preocupações dos trabalhadores. Nas ruas, a mensagem dos metalúrgicos foi a de que direitos construídos ao longo de décadas não devem ser reduzidos para enfrentar a crise.
Leia também:
O filme que Reagan não entendeu: Um Retrato da Mulher Soviética


