
A morte de gari Diêgo Rafael da Silva mobiliza protestos em São Paulo. Saiba mais sobre esse trágico incidente e suas consequências.
A morte do gari Diêgo Rafael da Silva, de 19 anos, atropelado por um motorista embriagado enquanto trabalhava na coleta de lixo na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, desencadeou um protesto da categoria que afetou a coleta de resíduos em parte da capital paulista. Em solidariedade ao colega e em defesa de justiça, trabalhadores da concessionária Loga paralisaram parte das atividades na noite de segunda-feira (27).
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O atropelamento aconteceu por volta das 22h40 de domingo (26), na Rua do Bosque, na Barra Funda. O caminhão de coleta estava parado enquanto os garis recolhiam os resíduos quando Diêgo, que estava na parte traseira do veículo, foi atingido violentamente por um automóvel.
Com o impacto, o trabalhador foi arremessado para a parte dianteira do caminhão. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
Diêgo trabalhava na coleta de lixo havia apenas dois meses. Casado, deixa uma filha de um ano e três meses e a esposa grávida. O sepultamento foi realizado na manhã desta terça-feira (28), no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste da capital.
Trabalhadores protestam e pedem justiça

Na manhã desta terça-feira (28), o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco) organizaou um protesto com dezenas de garis em frente ao 7º Distrito Policial, na Lapa, onde estava detido o empresário chinês Guofang Huang, acusado de atropelar o coletor. Com cartazes como “A vida dos garis importa” e “Justiça por Diego”, os trabalhadores cobraram punição ao responsável e denunciaram os riscos enfrentados diariamente pela categoria.
Na ocasição, o presidente do Siemaco, André Santos Filho, disse:
“Somos visíveis quando deixamos de fazer a coleta. Infelizmente vivemos em um país onde a discriminação e o preconceito existem. Nossos trabalhadores tem a simpatia da sociedade, mas tem muitos que ainda não respeitam”.
Motorista teve prisão preventiva decretada
De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista fugiu do local após o atropelamento. Um motoboy que presenciou o acidente passou a persegui-lo, fazendo com que ele retornasse pouco tempo depois.
Submetido ao teste do bafômetro, Guofang Huang apresentou índice de 0,73 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, mais que o dobro do limite de 0,34 mg/l, que caracteriza crime de trânsito.
Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
Em nota, a defesa do empresário afirmou que respeita a investigação e reiterou que o acusado tem direito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. Os advogados informaram que não comentarão o mérito do caso enquanto não tiverem acesso integral aos autos da investigação.
Paralisação
Como consequência da paralisação, bairros das regiões norte e oeste ficaram sem a coleta de lixo prevista para o período noturno. Segundo a Loga, concessionária responsável pelo serviço na região noroeste da cidade, a normalização da coleta deve ocorrer até esta quarta-feira (29), após uma força-tarefa realizada para minimizar os impactos.
A empresa informou que a paralisação ocorreu devido à comoção provocada pela morte do trabalhador e destacou que todas as equipes previstas para a coleta diurna desta terça-feira (28) saíram normalmente. A SP Regula também afirmou que o serviço foi retomado e funciona normalmente nesta terça-feira.
Entre os bairros atendidos pela Loga estão Perus, Jaraguá, Pirituba, Freguesia do Ó, Brasilândia, Santana, Mooca, Sé e Pinheiros. A concessionária ressaltou, no entanto, que nem todas as regiões sob sua responsabilidade foram atingidas pela paralisação.
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