PUBLICADO EM 24 de ago de 2026

“Momento é decisivo para acabar com escala 6×1”, diz Juruna à JovemPan

Juruna defende mobilização sindical para acelerar no Senado a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1

"Momento é decisivo para acabar com escala 6×1", diz Juruna à JovemPanEm entrevista à Jovem Pan, o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, Juruna, defendeu que o Congresso aproveite o atual momento político para votar.

Segundo Juruna, a proximidade das eleições amplia a pressão popular sobre deputados e senadores, tornando este período estratégico para avançar com a redução da jornada.

“Eu creio que é fundamental aproveitar esse momento político porque está em debate uma questão importantíssima no Senado”, afirmou o dirigente durante a entrevista concedida.

Além disso, Juruna ressaltou que parlamentares considerarão a opinião dos trabalhadores e da sociedade ao definirem seus votos sobre uma pauta com forte repercussão popular.

“Se ele vota contra, isso pode prejudicar na eleição também. Então esse momento é o momento exato onde nós devemos entrar em debate no Congresso Nacional.”

Sindicatos ampliam pressão sobre senadores

Nesse sentido, a Força Sindical orientou seus sindicatos em todo o País a procurarem senadores e senadoras para defender diretamente a aprovação da proposta no Senado.

“Nós temos orientado nossos sindicatos em todo o Brasil, em cada cidade, em cada estado a telefonarem, a mandarem e-mail”, explicou Juruna durante a entrevista.

Além disso, os dirigentes sindicais utilizam WhatsApp e outros canais para dialogar diretamente com parlamentares e ampliar a pressão pela votação antes das eleições deste ano.

Segundo Juruna, a mobilização busca garantir que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 avancem efetivamente no Senado Federal durante este período decisivo.

O dirigente também defendeu a participação popular no processo político e afirmou que a proximidade das eleições cria condições favoráveis para intensificar essa pressão democrática.

“Onde há eleição, há pressão, né? Só numa ditadura que você não pode fazer pressão, não pode usar os meios legais para isso.”

Juruna rebate críticas do setor empresarial

Durante a entrevista, Juruna também respondeu às críticas empresariais sobre possíveis impactos econômicos provocados pela redução da jornada e pelas mudanças relacionadas à escala 6×1.

“Eu creio que o empresariado tá puxando a sardinha pro seu lado. Sempre que houve mudança sobre questões sociais, sempre houve crítica como se o mundo fosse acabar.”

Nesse contexto, Juruna lembrou resistências empresariais enfrentadas anteriormente durante debates envolvendo décimo terceiro salário, férias, participação nos lucros e redução da jornada semanal brasileira.

“Assim foi o décimo terceiro, assim foi a férias, assim foi a participação nos lucros e resultados, assim foi quando reduzimos a jornada de quarenta e oito pra quarenta e quatro.”

Por outro lado, o sindicalista ressaltou que milhares de trabalhadores brasileiros já cumprem jornadas reduzidas estabelecidas através de acordos e convenções coletivas negociados pelos sindicatos.

Segundo Juruna, setores metalúrgicos, siderúrgicos, petroleiros e bancários acumularam experiências com jornadas diferenciadas, enquanto comércio e serviços ainda precisam avançar significativamente nessa discussão nacional.

Negociação coletiva adaptará novas regras

Além disso, Juruna afirmou que acordos e convenções coletivas terão papel fundamental para adaptar as mudanças às características específicas existentes em cada atividade econômica do País.

“É claro que a legislação fala da redução de jornada, fala da seis por um, mas o que vai determinar mesmo a maneira de ser, serão as convenções ou acordos coletivos com o sindicato.”

Dessa forma, cada segmento poderá negociar mecanismos compatíveis com suas condições de funcionamento, considerando diferenças existentes entre indústria, comércio, serviços, saúde, bancos e demais atividades.

“Então nada vai ser imposto, tudo vai ser, digamos assim, feito de uma maneira que não prejudique o trabalho, não prejudique o empresariado e nem prejudique a população.”

Juruna destacou ainda que sindicatos conhecem as particularidades das empresas e dos trabalhadores, permitindo construir soluções adequadas para diferentes portes, setores econômicos e realidades regionais.

“O movimento sindical também não é burro de colocar uma proposta de uma maneira que prejudique a população ou que prejudique a empresa, porque prejudicando a empresa com certeza prejudicará os trabalhadores.”

Força Sindical cobra votação antes das eleições

Segundo Juruna, representantes sindicais já conversaram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enquanto entidades empresariais também apresentaram suas posições sobre a proposta em discussão.

Para o dirigente, o diálogo institucional pode sensibilizar senadores e senadoras para que coloquem a matéria em votação antes da realização das eleições deste ano.

“Como eu disse, os sindicatos de todas as cidades estão ligando aos senadores, são três senadores por estado”, destacou Juruna ao explicar a mobilização nacional.

Por fim, o secretário-geral reforçou que a Força Sindical espera uma decisão ainda antes das eleições, enquanto sindicatos deverão posteriormente negociar adaptações para diferentes setores econômicos.

“Nós esperamos que seja antes das eleições, é fundamental”, afirmou Juruna, reforçando a importância da votação da redução da jornada e do fim da escala 6×1.

Leia também: Redução da jornada e escala 6×1: Alcolumbre envia PEC à CCJ do Senado

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