PUBLICADO EM 17 de ago de 2026

Enfermeira é libertada da detenção do ICE após pressão do movimento sindical do Maine (EUA)

PORTLAND, Maine — Debora Kapisha, enfermeira do Maine Medical Center que havia sido detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), foi libertada da custódia, anunciou o National Nurses United dia 6 de agosto.

Enfermeira libertada do ICE após protestos de mais de 200 apoiadores no Maine. Leia sobre a história de Debora Kapisha.

Enfermeira libertada do ICE após protestos de mais de 200 apoiadores no Maine. Leia sobre a história de Debora Kapisha.

Kapisha, uma enfermeira registrada de 28 anos, natural da Zâmbia e solicitante de asilo, foi colocada sob custódia do ICE em 30 de julho, enquanto passava pelo Aeroporto Internacional Logan, em Boston. Ela permaneceu detida por uma semana antes de ser libertada.

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A libertação ocorreu apenas um dia depois de mais de 200 enfermeiros, sindicalistas e apoiadores da comunidade realizarem um ato em frente ao Maine Medical Center, exigindo sua libertação imediata. A manifestação, organizada em menos de 24 horas pela Maine State Nurses Association (MSNA), afiliada à National Nurses United, já havia conquistado uma importante vitória ao impedir que o ICE transferisse Kapisha para um centro de detenção na Louisiana.

“Os sindicatos fizeram o que os sindicatos fazem: se organizaram”, disse a enfermeira registrada Ashlynn Ward ao People’s World após a manifestação. “Organizamos uma coletiva de imprensa e uma manifestação que, gosto de pensar, colocou pressão suficiente sobre o ICE para que eles não transferissem Debora da Nova Inglaterra para a Louisiana.”

Libertação demonstra a força da organização

Os colegas de Kapisha, que a descrevem como uma colega “gentil e solidária” e uma “profissional de saúde compassiva”, escreveram mais de 100 cartas de apoio a ela durante sua detenção. Eles exigiram que o ICE libertasse Kapisha imediatamente e que o Maine Medical Center tomasse medidas para patrociná-la formalmente para a obtenção da residência permanente.

“Eu conheço em primeira mão o caráter dela e a bondade que ela demonstra com as pessoas ao seu redor”, disse a enfermeira registrada Abigail Nelson durante a manifestação de 5 de agosto organizada pela MSNA. “Enfermeiras como ela não são fáceis de substituir, e os pacientes, nossa comunidade — todos nós — estamos sentindo a falta dela.”

Kapisha está legalmente autorizada a viver e trabalhar nos Estados Unidos enquanto seu pedido de asilo, apresentado a partir da Zâmbia, é analisado. De acordo com um e-mail obtido pelo Maine’s Total Coverage, a MaineHealth informou que Kapisha está autorizada a trabalhar nos Estados Unidos até 2030.

“Isso tem a ver com tirar a dignidade de nossos vizinhos”

O sindicato dos enfermeiros caracterizou a detenção de Kapisha como parte de um padrão mais amplo de violência do ICE contra comunidades de imigrantes.

“O ICE está prendendo uma enfermeira que cuida das pessoas e salva vidas todos os dias em nossa comunidade”, disse Cokie Giles, enfermeira registrada do Maine e vice-presidente da National Nurses United, durante a manifestação. “Quando o ICE sequestra membros de nossa comunidade que são essenciais, íntegros e trabalhadores como ela, está deixando claras suas verdadeiras intenções e seu objetivo: expulsar todas as pessoas negras e pardas do país e transformar os Estados Unidos em uma sociedade fascista e supremacista branca — além de aterrorizar todas as pessoas que resistem.”

O NNU tem defendido consistentemente a abolição do ICE, citando as mortes de pelo menos 52 pessoas sob custódia da imigração durante o segundo mandato de Trump, além de vários tiroteios fatais cometidos por agentes do ICE.

Hospital é pressionado a fazer mais

Embora a direção do Maine Medical Center tenha dito que estava em contato com os advogados de Kapisha e “oferecendo o apoio adequado”, os sindicalistas pediram que o hospital fizesse mais.

Janel Crowley, enfermeira da UTI neonatal e representante sindical, disse durante a manifestação que o hospital tem recursos para proteger seus trabalhadores. “Este é um hospital, pelo amor de Deus”, afirmou Crowley. “Este é um lugar de cura, de cuidado, de ajuda às pessoas vulneráveis. Mas, pelo menos neste momento, este hospital está dando as costas a alguém que precisa muito da nossa ajuda.”

Vários oradores sugeriram que o hospital poderia fornecer uma carta de apoio, ajudar a pagar o valor da fiança ou patrocinar o pedido de green card de Kapisha.

Implicações mais amplas para os trabalhadores da saúde

Ward, que falou ao People’s World após a manifestação, enfatizou que a luta por Kapisha tem profunda repercussão entre os trabalhadores da saúde em todo o estado e em todo o país.

“As enfermeiras deixaram claro o quanto significa defender esses princípios”, disse Ward. “Não apenas muitas enfermeiras são imigrantes, mas muitos funcionários de apoio dos hospitais também são. Essa é uma realidade muito presente no dia a dia dos profissionais de saúde.

“Temos funcionários de apoio, profissionais de saúde e unidades inteiras formadas por enfermeiras internacionais trazidas pelo sistema hospitalar”, continuou. “Quando isso acontece tão perto de nós, ficamos nervosos e assustados. Mas precisamos permanecer vigilantes, orientando nossos funcionários e profissionais de saúde para que conheçam seus direitos.”

Ward atribuiu à NNU o mérito por treinar líderes de enfermagem para orientar os membros da base sindical sobre seus direitos e sobre os direitos de seus pacientes.

Embora a libertação de Kapisha represente uma grande vitória, a luta ainda não terminou. Seu pedido de asilo continua pendente, e os enfermeiros continuam pressionando o Maine Medical Center para que a patrocine para obter a residência permanente.

Ward descreveu o movimento sindical do Maine como especialmente unido e preparado para responder quando a situação exige.

“O Maine é um lugar muito especial para os sindicatos”, disse ela. “Não acredito que outros estados tenham a mesma conexão estreita entre diferentes sindicatos que temos aqui. Sei que, quando a MSNA, a SEIU ou a IBEW precisam de apoio, outros sindicatos vão aparecer para demonstrar solidariedade.”

“Parece clichê, mas é ‘mexeu com um de nós, mexeu com todos nós’”, acrescentou Ward. “Isso ficou comprovado na quarta-feira com as enfermeiras. Quando voltamos para nossa conferência, todos estavam aplaudindo e perguntando: ‘O que podemos fazer para ajudar vocês?’ Nós faríamos exatamente a mesma coisa por eles.”

Cameron Harrison é ativista e organizador sindical da Comissão do Trabalho do CPUSA. Ele escreve de Detroit, Michigan.

Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy

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