PUBLICADO EM 07 de jul de 2026

Empregos em jornais caem e assessorias avançam

Empregos formais em jornais e revistas caem 52,3%, enquanto assessorias de imprensa avançam e número de MEIs cresce no setor editorial brasileiro

Empregos em jornais caem e assessorias avançamOs empregos formais em jornais e revistas caíram mais da metade na última década, enquanto outras áreas passaram a absorver mais profissionais do jornalismo brasileiro.

Dados do Dieese mostram que o segmento reduziu trabalhadores formais de 9.870, em 2015, para 4.709, em 2025, registrando queda expressiva de 52,3%.

Assim, o setor perdeu 5.161 postos de trabalho, enquanto as redações tradicionais encolheram e atividades externas aos veículos impressos passaram a concentrar profissionais jornalistas.

A segunda reportagem da série “O trabalho de jornalistas no Brasil” revela, portanto, uma mudança profunda no perfil do mercado de trabalho da categoria profissional.

Em 2025, a assessoria de imprensa liderou as funções empregadoras, reunindo 12.664 profissionais e representando 25,2% dos 50,3 mil vínculos formais registrados no jornalismo.

Em seguida, apareceram jornalistas, editores, repórteres, revisores de texto e profissionais de rádio e televisão, confirmando a diversificação das atividades exercidas pela categoria profissional.

Crescimento das assessorias

Para a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, os dados revelam uma migração importante, embora não representem necessariamente expansão das oportunidades profissionais com maior estabilidade.

“Os números mostram que os jornalistas continuam sendo demandados pelo mercado, mas essa demanda está se deslocando. Hoje vemos a assessoria de imprensa assumindo um papel cada vez mais relevante na absorção desses profissionais, algo que acompanha mudanças econômicas e tecnológicas importantes”, afirma.

Entretanto, Samira alerta que o crescimento das assessorias não deve ser analisado isoladamente, principalmente diante do fechamento de redações e da redução das equipes profissionais.

“O problema não é a ampliação da assessoria de imprensa, que é uma atividade legítima e historicamente importante para a profissão. A preocupação é quando esse crescimento acontece ao mesmo tempo em que vemos fechamento de redações, redução de equipes e formas mais precarizadas de contratação”, diz.

Além disso, registros da Receita Federal apontam 46.078 MEIs em atividades relacionadas à edição de revistas, jornais diários e publicações não diárias até maio deste ano.

Esse contingente praticamente equivale ao total de vínculos formais no jornalismo brasileiro, embora os dados não permitam afirmar que todos os registros pertençam a jornalistas.

“O elevado número de MEis, pelas denúncias que recebemos nos sindicatos, indica crescimento de uma fraude trabalhista que é obrigar o trabalhador a abrir um MEI para contratá-lo como empresa, embora ele esteja sujeito a todas as características do vínculo formal”, pontua a presidenta da FENAJ.

Para Samira, portanto, a comparação revela uma transformação mais ampla, marcada pelo avanço de modalidades que transferem custos e riscos das empresas para os trabalhadores.

“Precisamos olhar com atenção para o crescimento de modalidades que transferem custos e riscos para os trabalhadores. Muitas vezes a substituição do vínculo formal pela pejotização aparece como modernização, mas pode representar perda de direitos e fragilização das relações de trabalho”, afirma.

Por fim, o estudo ressalta que a RAIS contabiliza apenas trabalhadores registrados e exclui pessoas jurídicas, autônomos e outras modalidades sem vínculo empregatício formal direto.

Dessa forma, os números evidenciam uma realidade marcada pelo encolhimento das redações, avanço da comunicação institucional e crescimento de formas potencialmente precarizadas de contratação profissional.

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