PUBLICADO EM 23 de jul de 2026

Colunista: Eduardo Annunciato Chicão

Não aceitaremos que os trabalhadores paguem a conta do tarifaço

O tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos ameaça a indústria nacional e os empregos. Saiba mais sobre as implicações.

O tarifaço atinge também eletricitários das empresas de geração, transmissão e distribuição, assim como aos trabalhadores das empreiteiras, da manutenção, da construção de redes e da fabricação de máquinas e componentes elétricos. Foto: Pixabay

O tarifaço atinge também eletricitários das empresas de geração, transmissão e distribuição, assim como aos trabalhadores das empreiteiras, da manutenção, da construção de redes e da fabricação de máquinas e componentes elétricos. Foto: Pixabay

A nova tarifa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos contra uma série de produtos brasileiros representa uma grave ameaça à indústria nacional, aos investimentos e, principalmente, aos empregos. Trata-se de mais uma medida unilateral do governo Donald Trump, que pretende utilizar o comércio internacional como instrumento de pressão econômica e política contra o Brasil.

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Nós, do movimento sindical, não podemos aceitar que os trabalhadores e as trabalhadoras sejam obrigados a pagar essa conta. Quando uma empresa perde mercado, reduz sua produção ou cancela investimentos, são os empregos, os salários e os direitos que ficam ameaçados. Por isso, manifestamos nosso apoio integral à nota divulgada pelas Centrais Sindicais e pela IndustriALL Brasil.

O argumento utilizado pelos Estados Unidos não se sustenta. Em 2025, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 7,53 bilhões na relação com os norte-americanos. Isso significa que os Estados Unidos venderam mais ao Brasil do que compraram do nosso País. Não existe desequilíbrio comercial que justifique um ataque dessa dimensão.

Efeito em cadeia

Essa medida atinge toda a cadeia produtiva brasileira. Se a indústria produz menos, diminui também o consumo de energia, a contratação de serviços, a compra de equipamentos e a realização de novos projetos. Isso chega diretamente aos Eletricitários das empresas de geração, transmissão e distribuição, assim como aos trabalhadores das empreiteiras, da manutenção, da construção de redes e da fabricação de máquinas e componentes elétricos.

Defender a indústria brasileira é, portanto, defender os empregos dos Eletricitários. É defender investimentos no sistema elétrico, melhores condições de trabalho, concursos, contratações, salários dignos e segurança para os trabalhadores próprios e terceirizados. Não existe setor elétrico forte em um país que abandona sua indústria e aceita passivamente pressões estrangeiras.

Pix é do Brasil

Também é inaceitável que o Pix tenha sido colocado no centro dos questionamentos norte-americanos sobre os serviços digitais e os meios eletrônicos de pagamento do Brasil. O Pix é uma tecnologia pública brasileira, desenvolvida pelo Banco Central, utilizada por mais de 170 milhões de pessoas físicas, o equivalente a aproximadamente 80% da população do país. Em maio de 2026, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações pelo sistema.

Atacar ou tentar enfraquecer o Pix significa atingir diretamente a vida dos brasileiros. São trabalhadores que usam o sistema todos os dias para pagar contas, receber salários, comprar alimentos, transferir dinheiro para familiares e movimentar pequenos negócios. Uma eventual limitação ou encarecimento dessa ferramenta poderia beneficiar grandes empresas financeiras internacionais, mas prejudicaria milhões de brasileiros que encontraram no Pix um meio rápido, gratuito e acessível de movimentar seu próprio dinheiro.

Soberania

O Brasil tem o direito de desenvolver suas próprias tecnologias, administrar seu sistema financeiro e proteger seus interesses estratégicos. Nossa soberania não está à venda. O País não pode aceitar chantagens comerciais envolvendo sua indústria, suas reservas energéticas, seus minerais críticos, seu sistema financeiro ou suas instituições democráticas.

Defendemos que o governo brasileiro mantenha o diálogo e busque uma solução negociada, mas sem se ajoelhar e sem abrir mão dos interesses nacionais. Também é necessário ampliar mercados para os produtos brasileiros, fortalecer as empresas nacionais, proteger os setores ameaçados e garantir medidas concretas para preservar os empregos e a renda.

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A resposta ao tarifaço deve ter como prioridade absoluta a proteção dos trabalhadores. Nenhum incentivo público pode ser entregue a uma empresa sem a contrapartida da manutenção dos empregos, dos salários e dos direitos. Recursos destinados aos setores afetados precisam estar vinculados a compromissos claros contra demissões e precarização.

Como presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, reafirmo:

Estaremos mobilizados em defesa dos empregos, da indústria, do setor elétrico e da soberania brasileira. Não permitiremos que uma disputa política e comercial seja utilizada como desculpa para demitir trabalhadores, reduzir salários, atacar direitos ou paralisar investimentos!

O Brasil precisa ser respeitado. E os trabalhadores brasileiros não pagarão a conta do tarifaço de Donald Trump.

Eduardo Annunciato (Chicão) é Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA, Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e Vice-presidente da Força Sindical.

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