
Antiga sede do Sindicato, em 1978, na Rua do Carmo
O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes será a primeira entidade sindical no Brasil a ser julgada pela Comissão da Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, por ter sido perseguida na ditadura militar (1964-1985) informou o Painel da Folha de São Paulo nesta quinta (25).
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A Sessão Plenária Especial de análise do requerimento (nº 00135.203660/202409) coletivo de anistia será realizada na quinta-feira, 2 de julho de 2026, a partir das 9h, no Auditório do Bloco A (Subsolo), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
O requerimento será analisado pelo plenário de Conselheiros e Conselheiras da Comissão de Anistia. Prudente José Silveira Mello será o Conselheiro Relator.
Por que o Sindicato deverá ser anistiado?
Fatos históricos: desde o início, o Sindicato participou da resistência à ditadura. Sua sede, então localizada na Rua do Carmo, centro de São Paulo, foi cercada por forças militares na manhã do dia 31 de março de 1964, antes mesmo da consolidação do golpe.
Ativistas sindicais eram constantemente demitidos e perseguidos, através de monitoramentos e informações repassadas pelas empresas e, na parte mais cruel da ditadura (com perseguições, tortura, desaparecimentos e mortes), o Sindicato também sofreu perdas.
Morreram nas mãos da ditadura os trabalhadores e líderes metalúrgicos:
- Olavo Hanssen – morto aos 33 anos – em maio de 1970.
- Luiz Hirata – morto aos 27 anos – em dezembro de 1971.
- Manoel Fiel Filho – morto aos 49 anos – em janeiro de 1976.
- Nelson Pereira de Jesus – morto aos 22 anos – em outubro de 1978.
- Santo Dias – morto aos 37 anos – em outubro de 1979.
Memória, verdade, justiça e reparação!

Miguel Torres, presidente da entidade, comanda assembleia na fábrica Fame
Para o atual presidente do Sindicato, Miguel Torres, esse julgamento é imprescindível para que a sociedade brasileira reconheça a perseguição política que atingiu os operários metalúrgicos, os ativistas e o nosso Sindicato.
“Nós resistimos, lutamos pela redemocratização e pelas Diretas, Já! Mas precisamos continuar mobilizados, em defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, para que não haja retrocessos políticos nem a volta de regimes autoritários, violentos e criminosos como o que durou 21 anos na história recente do País, de 1964 a 1985”, afirma Miguel Torres.
Ana Lúcia Marchiori, advogada do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e pesquisadora, destaca a relevância histórica do julgamento.
“Essa análise e julgamento são importantes para reconstituir a verdade e a história desse momento em nosso país. O reconhecimento das perseguições sofridas pelo Sindicato fortalece a memória, a democracia e o compromisso com a justiça para as atuais e futuras gerações.”



