A promoção da igualdade racial no trabalho ganhou destaque, nesta quinta-feira (3), durante o primeiro Seminário Nacional de Letramento Racial, realizado em Recife, Pernambuco.
Promovido pelo Sindmetal-PE, o encontro reuniu dirigentes sindicais, pesquisadores e representantes de diversas categorias para discutir igualdade de direitos e oportunidades nos locais de trabalho.
Representando a CNM/CUT, Christiane Aparecida, secretária da Igualdade Racial, apresentou ações da entidade e defendeu políticas de enfrentamento ao racismo por meio da organização sindical.
Além disso, Carmem Dolores abordou a transversalidade das políticas de igualdade, enquanto Marcos Pereira, conhecido como Steve Biko, discutiu o letramento racial nas relações de trabalho.
Segundo Chris, o principal desafio consiste em fazer empresas, trabalhadores e o movimento sindical reconhecerem o racismo estrutural presente na sociedade e nas relações profissionais brasileiras.
“Um dos grandes desafios é fazer com que as empresas reconheçam que o racismo é estrutural. Muitas práticas acabam sendo naturalizadas e, por isso, nem sempre são identificadas como racismo.”
“Basta observar que ainda é raro encontrar pessoas negras ocupando cargos de chefia e liderança”, analisou a dirigente durante sua participação no seminário nacional em Pernambuco.
Nesse sentido, Chris destacou que a população negra representa a maioria brasileira, mas permanece sub-representada nos espaços decisórios das empresas e também do movimento sindical nacional.
“Precisamos romper essa lógica e enfrentar o racismo onde ele realmente está, em toda a estrutura da sociedade”, declarou Chris durante sua apresentação aos participantes do seminário.
Para a dirigente, iniciativas de letramento racial fortalecem a organização dos trabalhadores e ampliam o compromisso sindical com ambientes profissionais mais justos, diversos e democráticos no país.
Durante sua palestra, Chris apresentou o acordo entre a CNM/CUT e o Ministério da Igualdade Racial como referência para fortalecer ações sindicais contra o racismo no trabalho.
“Pernambuco sempre nos recebe com atividades muito importantes, porque o Sindmetal-PE realmente luta pela igualdade racial. Este seminário dialoga diretamente com o nosso acordo com o MIR.”
“Saímos daqui fortalecidos e esperançosos de que essa parceria produza resultados concretos”, explicou Chris, ao avaliar a importância da cooperação para o avanço das políticas de igualdade racial.
A dirigente afirmou que sindicatos demonstraram interesse em transformar o acordo em ações concretas, tornando a iniciativa uma referência para federações, confederações e outras entidades sindicais brasileiras.
“Também foi muito importante ver entidades de outras categorias querendo somar nessa luta”, frisou Chris, destacando a ampliação da articulação sindical no enfrentamento ao racismo estrutural brasileiro.
Agora, a CNM/CUT pretende ampliar a iniciativa com a CUT, fortalecendo processos de formação, diálogo e escuta junto aos trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias profissionais brasileiras.
“Com a participação da CUT, vamos ampliar ainda mais esse Acordo de Cooperação Técnica. O objetivo é investir em formação, diálogo e escuta, por meio de uma pesquisa com a categoria.”
“Queremos ouvir como essas pessoas se sentem dentro das fábricas e compreender a realidade vivida no dia a dia para construir ações cada vez mais efetivas no enfrentamento ao racismo”, destacou.
Por fim, Chris defendeu que a experiência desenvolvida pelo Sindmetal-PE alcance outros estados e inspire sindicatos filiados à CNM/CUT a promoverem espaços permanentes de formação antirracista nacionalmente.
“É fundamental dar continuidade aos seminários itinerantes. Começamos por Pernambuco, mas queremos que essa iniciativa chegue a todos os estados e sindicatos filiados à CNM/CUT.”
“A experiência do Sindmetal-PE mostra que esse é o caminho para fortalecer o debate sobre igualdade racial. Espero que este seja apenas o primeiro de muitos seminários que ainda vamos realizar”, concluiu.
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