
Força Sindical critica corte de 0,25 ponto na taxa Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu, nesta quarta-feira (16), a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,75% anuais.
Entretanto, representantes dos trabalhadores consideraram o corte insuficiente diante do atual patamar dos juros e defenderam a continuidade das reduções promovidas pelo Banco Central brasileiro.
A Direção Nacional da Força Sindical divulgou, nesta quarta-feira, 16 de setembro, nota sobre a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica Selic.
De acordo com nota da Central, assinada pelo presidente Miguel Torres, o corte promovido pelo Copom foi muito tímido.
“A decisão resulta na manutenção dos juros em patamares elevados.”
O sindicalista argumenta que taxas elevadas encarecem o crédito, reduzem o consumo das famílias, dificultam investimentos empresariais e comprometem a geração de empregos e renda nacional.
“Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia”, avalia o líder sindical.
Na mesma direção, a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, Neiva Ribeiro, avaliou que a decisão representa avanço ainda bastante limitado.
“A queda é um passo importante, mas insuficiente em face do nível muito elevado dos juros no país”, destaca Neiva, ao comentar a decisão anunciada.
“A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e, mesmo quando a redução chega ao consumidor com defasagem, abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato”.
Além disso, Neiva defende que o debate considere os efeitos dos juros sobre investimentos, empregos, famílias, empresas e também sobre o próprio orçamento público brasileiro.
“O debate precisa ir além dos indicadores do mercado financeiro. Juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e redução do custo financeiro que pesa sobre famílias, empresas e o orçamento público”, afirma.
Por fim, as manifestações das entidades sindicais convergem na defesa de novos cortes, visando ampliar crédito, investimentos, consumo, produção e geração de empregos no país.
A seguir, leia a íntegra da nota divulgada pela Direção Nacional da Força Sindical:
Decisão coloca fermento para uma crise econômica
É muito tímida a queda de apenas 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que agora está em 13,75% ao ano. A decisão representa um verdadeiro “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre (outubro, novembro e dezembro) e coloca fermento para uma eventual crise econômica.
Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia.
Infelizmente, o Banco Central continua se curvando aos interesses dos especuladores, mantendo a taxa de juros em patamares proibitivos para o setor produtivo e para a geração de empregos.
Juros estratosféricos representam um mecanismo de concentração de renda nas mãos de banqueiros e especuladores. O governo precisa compreender que taxas de juros elevadas encarecem o crédito para o consumo e os investimentos, além de reduzirem a renda disponível da população.
Essa política de juros altos também diminui a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula os investimentos, comprometendo o crescimento econômico e a distribuição de renda.
São Paulo, 16 de setembro de 2026.
Miguel Torres
Presidente da Força Sindical


