PUBLICADO EM 14 de mar de 2019
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Nascido há 140 anos, Albert Einstein mudou os paradigmas da ciência

Albert Einstein é um nome conhecido. Até mesmo sua imagem é conhecida. Mas quantos conhecem sua história e, sobretudo, seu legado?

Por Carolina Maria Ruy 

Albert Einstein não curtia aniversários

O lendário teórico físico, nascido na Alemanha, em 14 de março de 1879, resistia em ser o centro das atenções e disse para a revista LIFE que “aniversários são para crianças”. Mas, em seu aniversário de 74 anos, em 1953, ele fez uma exceção.

Quando a Universidade Yeshiva de Nova York pediu para construir uma escola médica em seu nome, ele concordou – apesar de sentir do mesmo modo sobre tais honras como ele se sentia sobre aniversários – e participou de um almoço de angariação de fundos em sua homenagem.

“Para a ocasião”, LIFE reportou, “Einstein largou seu característico suéter folgado e calças, e pôs um terno cinza. Mas ele achou mais difícil largar uma vida inteira de timidez”. Ele falhou em notar o bolo de aniversário de três camadas que ganhou do Sindicato dos Padeiros de Bolos. Quando tudo estava dito e feito ele disse: “Estou feliz que acabou”. O almoço levantou $3.5 milhões, para o que é agora Faculdade de Medicina Albert Einstein.

Ele morreu dois anos depois, em 18 de abril de 1955.

Esta historinha simpática, publicada na revista Time, em 2016, ilustra o estilo do cientista, que se consagrou como um dos maiores gênios da humanidade.

Rompendo paradigmas

Seus estudos e suas descobertas pertencem ao complexo universo da física. Mas eles são tão importantes que foram capazes de mudar a visão que a humanidade tem sobre o planeta.

Einstein graduou-se em Matemática e Física em 1900, mas, curiosamente, não foi um aluno de destaque nas instituições de ensino. Isso porque ele faltava à muitas aulas e dedicava-se à estudar o que julgava mais importante. Hoje vemos que só mesmo rompendo paradigmas ele pôde desenvolver sua teoria e ter seu merecido reconhecimento.

Por causa desta sua independência ele encontrou dificuldades em se estabelecer socialmente. Não encontrava empregos, e quando encontrava, não condizia com sua atividade.

Ele só obteve notoriedade, e conseguiu um bom cargo de professor na Universidade de Berna, em 1908, depois de publicar, em 1905, quatro estudos revolucionários para a Física do século XX. Os estudos são:

“Sobre um ponto de vista heurístico relativo à produção e transformação da luz”, que trata sobre a absorção da luz pelo efeito fotoelétrico.

“Sobre o movimento de pequenas partículas em suspensão dentro de líquidos em repouso, tal como exigido pela teoria cinética molecular do calor”, cujo objetivo é explicar que o movimento aleatório de pequenos grãos de pólen em suspensão num líquido é originado das minúsculas colisões moleculares.

“Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, trabalho que lançou as bases para uma área da Física totalmente nova: a relatividade restrita.

“A inércia de um corpo depende do seu conteúdo energético?”, artigo no qual apresenta o princípio da equivalência e a famosa relação entre energia e massa de repouso: E = mc².

Depois disso ele realizou diversas viagens ao redor do mundo, deu palestras públicas em conceituadas universidades e conheceu personalidades célebres de sua época, tanto na ciência quanto fora do mundo acadêmico. Publicou mais de 300 trabalhos científicos, juntamente com mais de 150 obras não científicas.

Bomba atômica

Ele estava nos Estados Unidos quando o Partido Nazista chegou ao poder na Alemanha, em 1933, e não voltou para o seu país de origem, onde tinha sido professor da Academia de Ciências de Berlim. Estabeleceu-se então no país, onde naturalizou-se em 1940. Na véspera da Segunda Guerra Mundial, ajudou a alertar o presidente Franklin Delano Roosevelt que a Alemanha poderia estar desenvolvendo uma arma atômica, recomendando aos norte-americanos a começar uma pesquisa semelhante, o que levou ao que se tornaria o Projeto Manhattan. Apoiou as forças aliadas, denunciando, no entanto, a utilização da fissão nuclear como uma arma. Mais tarde, com o filósofo britânico Bertrand Russell, assinou o Manifesto Russell-Einstein, que destacou o perigo das armas nucleares. Foi afiliado ao Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde trabalhou até sua morte em 1955, aos 76 anos.

Ele deixou muitos questionamentos para diversas áreas da Física, além de um importante legado científico.

Reconhecimento

Einstein teve um vasto legado científico, no entanto, foi o seu artigo sobre o efeito fotoelétrico que levou a comunidade científica a concedê-lo o prêmio Nobel de Física. Nesse artigo, Einstein explica a origem e o funcionamento desse importante fenômeno quântico.

Em 1999 foi eleito por 100 físicos renomados o mais memorável físico de todos os tempos. No mesmo ano a revista TIME, em uma compilação com as pessoas mais importantes e influentes, o classificou a pessoa do século XX.

Einstein com Charles Chaplin na estreia do filme, em janeiro de 1931.

Legado

Os estudos de Einstein deixaram legados para diversas áreas do conhecimento. Destacamos aqui alguns deles.

A teoria da relatividade geral, por exemplo, permitiu que criássemos o GPS (Sistema de Posicionamento Global). Como a gravidade terrestre afeta a propagação das ondas eletromagnéticas, uma série de correções é feita nos sinais de satélite, de forma que esses satélites são capazes de nos localizar rapidamente e com grande precisão.

Ainda no domínio da teoria da relatividade, Einstein previu a possibilidade da existência de ondas gravitacionais, que foram detectadas em 2017, durante a colisão de dois buracos negros.

No ramo da Mecânica Quântica, Einstein deixou diversas questões em aberto, que, futuramente, viriam a dar origem a uma nova área da Física, a Óptica Quântica. Os estudos de Einstein relacionados ao comportamento da luz renderam-lhe a explicação do efeito fotoelétrico, empregado nas células fotovoltaicas, capazes de produzir energia solar, bem como a luz laser.

Einstein também foi capaz de estabelecer uma relação de proporcionalidade entre massa e energia por meio da sua fórmula mundialmente conhecida: E = mc². Com essa relação, o físico mostrou que a massa inercial (m) multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz (c²) é equivalente a uma quantidade de energia E. As conclusões de Einstein sobre a energia de repouso levaram à criação da bomba atômica e também ao surgimento de usinas nucleares.

O físico alemão também trouxe grandes contribuições para a Termodinâmica e para a Física Estatística por meio do desenvolvimento de uma teoria para o cálculo do calor específico de sólidos e pela explicação do movimento browniano.

Seu maior sonho era construir uma teoria capaz de unificar todas as forças fundamentais em uma única descrição matemática. Tal desejo é refletido em algumas das teorias cosmológicas mais recentes.

Carolina Maria Ruy, jornalista, coordenadora do Centro de Memória Sindical

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