PUBLICADO EM 06 de dez de 2018
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Endividada, Avianca Brasil pode perder aviões na Justiça

Ao menos duas empresas que arrendam aeronaves para a Avianca Brasil entraram na Justiça contra a companhia aérea para pedir a retomada dos aviões por falta de pagamento.

Foto: Reprodução

No caso mais recente, a subsidiária irlandesa da BOC Aviation venceu, em primeira instância, processo contra a aérea para reaver dois Airbus A320-351N. A Avianca recorreu da sentença.

O despacho da decisão, de 26 de novembro, autoriza “a requisição de reforço policial e ordem de arrombamento, se necessário”.

O juiz Cesar Augusto Vieira Macedo negou pedido da Avianca para que o processo tramite em segredo de Justiça.

A coluna apurou com pessoas familiarizadas com a ação judicial que o pagamento não era feito havia pelo menos dois meses. O valor da causa é de R$ 3,5 milhões.

A empresa tinha, em junho, R$ 1,168 bilhão em dívidas com vencimento no prazo de até um ano, segundo as demonstrações contábeis apresentadas à Anac (órgão regulador do setor aéreo).

O capital circulante líquido na época era negativo. “Isso significa que a companhia tinha mais a pagar que a receber no período de um ano. O valor devido em empréstimos financeiros era alto”, diz Michael Viriato, professor do Insper.

“Parte dos R$ 306 milhões de financiamentos a pagar tinha juros de 7,2% ao ano mais o CDI [Certificado de Depósito Interbancário]. É uma taxa bastante elevada”, observa.

“Os arrendamentos se tornaram mais volumosos no último ano, e a dívida é elevada se comparada com o fluxo de caixa [até o segundo trimestre de 2018]”, afirma Marcos Piellusch, da FIA. Pelos seus cálculos, o Ebitda da empresa no segundo trimestre estava negativo em R$ 240,49 milhões.

Pessoas ligadas ao setor aeronáutico disseram à coluna que a companhia aérea cogita pedir RJ (recuperação judicial) nos próximos dias.

Procurada, a Avianca Brasil negou que entrará em RJ. A empresa afirma que “negociações fazem parte da rotina de qualquer empresa para otimização de resultados e […] que os processos estão evoluindo dentro das expectativas.”

Fonte: Folha SP

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