PUBLICADO EM 13 de abr de 2026

Encontro de Trabalhadores do Setor Sucroalcooleiro une sindicatos, confederações e federações como CNTA e Fequimfar

O Encontro de Trabalhadores do Setor Sucroalcooleiro unifica a luta das categorias nas usinas. Saiba mais sobre este evento histórico.

O Encontro de Trabalhadores do Setor Sucroalcooleiro visa unir e fortalecer os empregados nas negociações coletivas deste ano.

O Encontro de Trabalhadores do Setor Sucroalcooleiro visa unir e fortalecer os empregados nas negociações coletivas deste ano.

Unir e fortalecer a representação dos empregados durante as negociações coletivas deste ano – este foi o objetivo do 1º Encontro Unificado dos Trabalhadores do Setor Sucroalcooleiro do Estado de São Paulo, realizado nesta sexta-feira (10), no Sindicato dos Motoristas, em Jales-SP. O evento marcou uma mobilização histórica, no sentido de unificar a luta das categorias profissionais que atuam nas usinas.

Com a presença da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e Afins  (CNTA), o evento foi organizado pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de São Paulo (FETIASP), pela Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo (FTTRESP ), pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (FEQUIMFAR) e pela Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP).

“Só a união das categorias pode mudar o panorama destas negociações, marcadas todo ano pela forte pressão da indústria canavieira de São Paulo. O cenário exige atenção constante às propostas patronais e mobilização. As usinas de cana-de-açúcar e álcool são fundamentais para o Brasil, atuando como pilares econômicos e de sustentabilidade”, analisou o vice-presidente da CNTA, Artur Bueno Júnior.

Já o presidente da Fequimfar, Sérgio Luiz Leite, afirmou:

“Agradecemos a participação de todos, especialmente dos sindicatos filiados à FEQUIMFAR, da Força Sindical SP, representada por seu presidente, Danilo Pereira da Silva, e da CNTQ, representada por seu presidente, Antonio Silvan Oliveira”.

Como pano de fundo evidenciado nos discursos, estava a necessidade de um reequilíbrio do campo de forças da negociação salarial. Em tela, o caráter pujante, privilegiado e estratégico do mercado das usinas, palco de constante evolução tecnológica, mas que não remunera de forma adequada sua peça mais relevante: o trabalhador.

Com duas palestras de especialistas, o Encontro Unificado terminou com a elaboração de uma “Carta Aberta aos trabalhadores do setor sucroalcooleiro”. O documento estabelece 7 diretrizes para a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras das quatro categorias, metas a serem perseguidas durante a Campanha Salarial unificada. O encontro teve participação do deputado federal Jilmar Tatto (PT).

Palestras

Com presença de quase 300 dirigentes sindicais e trabalhadores vindos de todas as regiões do Estado, o Encontro Unificado contou com palestra do economista e supervisor técnico estadual do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE ), Fernando Lima. O tema foi “Elementos para a Negociação Coletiva”.

O desembargador Luís Henrique Rafael, do TRT 15 (Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região – Campinas), destacou o tópico “Acordos e Convenções Coletivas: Aspectos, Importância, Dissídio Coletivo e Jurisprudência”.

As exposições foram seguidas de um debate, com perguntas feitas aos palestrantes. A emoção ficou por conta da homenagem a Alita Araújo, esposa do presidente da FETIASP Melquíades Araújo, falecida na véspera do evento – Melquíades foi representado no Encontro Unificado pelo vice-presidente da FETIASP, Marcos Araújo.

Carta

A Carta Aberta trata, logo no início, do compromisso com a luta pelo ganho real de salários nas negociações deste ano. Em seguida, menciona a necessidade da redução da jornada de trabalho, com alteração da escala 6X1 e sem redução de salários. O fortalecimento da negociação coletiva é o terceiro item, que se segue do respeito à saúde do trabalhador (destaque para as normas NR1 e NR31), e o combate da precarização do trabalho (com menções à terceirização e à prejotização).

Ao final, o documento discorre sobre a luta para garantir a assistência à saúde nas empresas, e reforça a necessidade da união. “As usinas de cana de açúcar e álcool são empresas poderosas, beneficiadas sobremaneira pelos governos e estratégicas na transição energética. O trabalhador precisa participar de seu crescimento”, finalizou Artur Bueno Júnior.

A íntegra da Carta Aberta você acessa aqui.

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