PUBLICADO EM 31 de ago de 2026

Dolly Parton, além da música, também é lembrada como heroína da classe trabalhadora

Conheça a trajetória de Dolly Parton, a mulher que conquistou o mundo do country mantendo suas origens e sua consciência social.

Dolly Parton no Grand Ole Opry, Nashville, 09/24/2011. Foto: FLICKR Timothy Wildey

Dolly Parton no Grand Ole Opry, Nashville, 09/24/2011. Foto: FLICKR Timothy Wildey

Um artigo assinado por C.J. Atkins e publicado pelo jornal estadunidense People’s World resgata a verdadeira essência da estrela do country, Dolly Parton, que morreu aos 80 anos no dia 25 de agosto de 2026. Para além de seus sucessos como “Jolene” e “I Will Always Love You”, e de seus programas de doação de livros, o jornal destaca que Dolly nunca deixou de ser o que era em sua origem: uma mulher da classe trabalhadora, incrivelmente leal aos seus.

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Nascida em 1946, em uma casa de um único cômodo no Tennessee, Dolly era a quarta de 12 filhos de uma família de meeiros que vivia na pobreza. Essa raiz humilde moldou toda a sua trajetória. Segundo a publicação do People’s World, a artista foi, durante toda a sua carreira (por 58 anos), uma orgulhosa membra do Sindicato dos Músicos (AFM Local 257) em Nashville. Ela fazia questão de assinar contratos sindicais para garantir que sua banda recebesse os salários e direitos justos que vêm com a filiação. “Antes de ser um ícone, Dolly era uma musicista trabalhadora”, declarou o presidente do sindicato.

O verdadeiro significado de “9 to 5”

O jornal também revela o sentido de classe por trás do hit “9 to 5“. Embora hoje seja lembrada pela comédia de sucesso com Jane Fonda nos anos 1980, a música e o filme nasceram de uma luta de classes real. A história foi baseada em uma organização de trabalhadoras de escritório de Boston, chamada 9to5, que lutava contra salários baixos, assédio e a invisibilidade das secretárias.

Com a canção, Parton capturou uma verdade universal do trabalhador: “É o jogo do homem rico, não importa como chamem, e você passa a vida colocando dinheiro na carteira dele”.

Uma aliada à frente de seu tempo

O artigo do People’s World traça um perfil de Dolly como defensora de grupos marginalizados, muito antes de isso ser moda ou até seguro na música country conservadora:

  • Comunidade LGBTQIA+: Em 1991, ela já cantava sobre aceitação gay na música “Family”. Dolly também financiou o documentário vencedor do Oscar sobre a epidemia de AIDS (“Common Threads”) enquanto o governo de Ronald Reagan se mantinha em silêncio. Em 2004, quando a Ku Klux Klan ameaçou protestar contra o “Dia Gay” em seu parque de diversões, Dollywood, a resposta de sua equipe foi direta: os extremistas seriam proibidos de entrar, pois “todas as famílias são bem-vindas”.
  • Trabalhadores Imigrantes: Ela gravou “Deportee” de Woody Guthrie, uma elegia a 28 trabalhadores rurais mexicanos mortos em um acidente de avião em 1948, humanizando imigrantes em uma época (como a atual) de forte retórica de deportação.
  • Vidas Negras (Black Lives Matter): Durante os protestos contra a violência policial em 2020, Dolly foi categórica: “Claro que vidas negras importam. Achamos que nossos traseirinhos brancos são os únicos que importam? Não!”. Além disso, quando ganhou 10 milhões de dólares em royalties pela versão de Whitney Houston de “I Will Always Love You”, Dolly usou o dinheiro para comprar um complexo comercial em um bairro negro de Nashville, levando empregos e desenvolvimento para a comunidade em homenagem a Whitney.
  • Contra a Intolerância: Ela defendeu profissionais do sexo ao estrelar o filme “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, rebatendo a hipocrisia de grupos autodenominados como “Maioria Moral”. Em 2005, gravou um dueto com Cat Stevens (Yusuf Islam) num momento em que ele sofria com a islamofobia pós-11 de setembro.

O legado final

Como conclui o texto do People’s World, Dolly Parton construiu um império musical a partir de uma cabana sem eletricidade e nunca se esqueceu de onde veio.

O que ela fez com a fama e a fortuna que conquistou foi gastá-las com pessoas que precisavam de proteção mais do que ela: os músicos de sua banda, as secretárias que inspiraram seu maior sucesso, os jovens gays e trans buscando aceitação, os imigrantes, e a população negra. Esse, aponta o jornal, é o verdadeiro currículo de uma heroína da classe trabalhadora. O resto é apenas a trilha sonora de sua vida.

Assista Dolly Parton cantando seu grande sucesso I Will Always Love You

 

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