
Para o Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), nas eleições de 2026 os trabalhadores devem votar por um Brasil democrático, soberano, desenvolvido e socialmente justo, no qual o trabalhador seja respeitado, valorizado e colocado no centro das decisões.
Em uma democracia, o voto precisa ser livre, consciente e secreto. Nenhum trabalhador pode ser pressionado, ameaçado ou constrangido por causa de suas escolhas políticas. O patrão compra a força de trabalho por meio do salário, mas não é dono da consciência, das opiniões e muito menos do voto de seus empregados.
Com a aproximação das eleições, precisamos redobrar a atenção para o assédio eleitoral dentro das empresas. Ele pode aparecer de maneira explícita, com ameaças de demissão ou retirada de benefícios, mas também de formas disfarçadas: reuniões convocadas para defender candidaturas, mensagens em grupos corporativos, obrigação de participar de atos políticos ou discursos que espalham medo sobre o futuro dos empregos.
Não existe liberdade em uma conversa quando um dos lados controla o salário e pode decidir sobre a permanência do outro no emprego. A desigualdade existente nessa relação transforma uma suposta “orientação política” em pressão. Quem depende daquele trabalho para sustentar sua família pode se sentir obrigado a concordar, permanecer calado ou demonstrar apoio a quem não escolheu.
Essa prática precisa ser denunciada e combatida. A Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público lançaram a campanha “No meu voto mando eu”, reforçando que ameaçar, intimidar ou oferecer vantagens para influenciar uma escolha política pode gerar responsabilização. É um alerta necessário, especialmente diante dos abusos registrados nas últimas eleições.
O local de trabalho não pode ser tratado como um território sem Constituição. A democracia não termina quando o trabalhador atravessa o portão da empresa. Ali também devem ser respeitadas a liberdade de expressão, a dignidade humana, o direito à opinião e o voto livre e secreto.
É justamente nesse momento que o sindicato demonstra novamente sua importância. Cabe às entidades sindicais informar, conscientizar, acolher denúncias e proteger os trabalhadores contra qualquer forma de perseguição. Quem sofrer ou presenciar assédio eleitoral não deve enfrentar a situação sozinho. Deve procurar o Sindicato, preservar mensagens e documentos e buscar os órgãos competentes.
Isso não significa que o movimento sindical deva abandonar o debate político. Pelo contrário. O Sindicato tem o dever de discutir os projetos que interferem na vida da classe trabalhadora. Precisamos avaliar quem defende empregos, salários dignos, negociação coletiva, segurança, Previdência, empresas públicas e desenvolvimento nacional. Porém, esse debate deve ser feito com argumentos, informação e respeito — jamais por meio de ameaça ou imposição.
A liberdade política precisa valer para todos. Empresários, dirigentes sindicais e trabalhadores podem manifestar opiniões, mas ninguém pode utilizar uma posição de poder para controlar a escolha de outra pessoa. Defender a democracia também significa respeitar quem pensa diferente.
O assédio eleitoral é uma tentativa de transformar necessidade econômica em instrumento de dominação política. Quando o medo de perder o emprego entra na cabine de votação, a democracia sai enfraquecida. Por isso, combater essa prática é uma responsabilidade do movimento sindical e de toda a sociedade.
Ao trabalhador e à trabalhadora, deixamos uma mensagem muito clara: não aceitem pressão, intimidação ou ameaça. Informem-se, participem do debate e façam suas escolhas com consciência. O emprego pertence à relação de trabalho. O voto pertence somente a você.
No meu voto mando eu!
Eduardo Annunciato (Chicão) é Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA, Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e Vice-presidente da Força Sindical.


