PUBLICADO EM 14 de fev de 2024

É hora de colocar o bloco na rua; por Nivaldo Santana

O presidente Lula obteve uma vitória histórica com uma margem estreita. Alcançou 50,90% dos votos contra 49,10% do seu oponente de extrema-direita. Provavelmente esse resultado revele a maior polarização política da história recente do nosso país.

Passado mais de um ano do governo, com pequenas variações, pode-se dizer que a polarização continua. É verdade que o governo melhora seus indicadores positivos na percepção popular, mas o campo político de extrema-direita se mantém forte.

O último exemplo dessa polarização foi a constatação de que, mesmo depois da divulgação massiva do vídeo da reunião ministerial onde Bolsonaro tramava abertamente um golpe de Estado, a divisão na sociedade continua.

Segundo pesquisa do Instituto Atlasintel, divulgada neste mês de fevereiro, 36,8% dos brasileiros não acreditam na tentativa de golpe, 42,2% acham que Bolsonaro está sendo perseguido e 42% são contrários a uma eventual prisão do ex-presidente.

Esses dados da pesquisa sobre o quadro político do país são um grande nó a ser desatado. Mesmo com todas as evidências e a multiplicação de denúncias, há uma espécie de blindagem que assegura a sobrevida política do bolsonarismo.

O grande desafio do campo político liderado pelo presidente Lula é conquistar apoio popular consciente, forte, decidido e desmascarar a farsa bolsonarista. Isso depende de uma variável estratégica: a mobilização popular.

Para alcançar esse apoio, o Lula tem múltiplas tarefas. Precisa impulsionar o crescimento econômico, reindustrializar o país, gerar empregos de qualidade, ampliar as políticas sociais para reverter a tragédia social provocada pelo seu antecessor.

Paralelamente, Lula precisa remover os tentáculos neoliberais que capturaram o Estado brasileiro. Banco Central independente, juros abusivos, metas de inflação irrealistas e política fiscal restritiva ancorada no chamado déficit zero.

Além disso, Lula precisa usar e abusar de toda a sua habilidade política para driblar os obstáculos de um Congresso Nacional conservador e refratário às mudanças. Para isso, é obrigado a sucessivas negociações para aprovar projetos no parlamento.

Mas a mãe de todas as batalhas de Lula é, como já se disse, conquistar apoio popular, sem o qual nenhum governo tem assegurada sua sustentação. As condições para este apoio dependem das ações do governo e dos movimentos sociais.

Dada a atual correlação de forças, o governo precisa consolidar e ampliar a frente ampla, isolar, derrotar as tentativas de volta da extrema-direita, tudo combinado com a luta para assegurar a realização do programa com o qual foi eleito.

Certamente que há contradições no seio da frente ampla. Mas a disputa democrática pelos rumos do país só terá resultado positivo se for sustentada em forte movimento popular.

Quando se fala em mobilização, não podemos nos contentar com a realização de atos com presença quase exclusiva de militantes ou na participação em conferências e grupos de trabalho criados pelo próprio governo.

Essas participações são condições necessárias, mas insuficientes para se viabilizar uma nova agenda no sentido das mudanças e com força social para derrotar os adversários do programa do governo.

O esforço para conseguir mobilizações massivas ajuda o governo e não joga água no moinho da oposição. São ações que devem colocar no topo da agenda a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.

A base para a retomada das mobilizações é a construção unitária de uma nova agenda para o país, em linha com o quadro político. Além da agenda comum, o movimento de massas precisa desenvolver suas ações de forma ampla e unitária.

Há setores do movimento, no entanto, que subestimam a complexidade da atual conjuntura e adotam posições exclusivistas. O hegemonismo e as posições excludentes dificultam a necessária unidade e retardam as possibilidades de avanço.

Por último, mas não menos importante, é preciso que a inteligência política das lideranças populares defina não apenas palavras de ordem justas, mas bandeiras capazes de galvanizar e levar o povo à rua. Parece simples, mas não é.

O fio condutor de uma política justa parte da compreensão de que não existe contradição entre lutar pelo êxito do governo Lula e mobilizar o povo de forma independente, com uma pauta própria do movimento.

Com agenda e mobilização unitárias, amplitude e politização crescentes dos movimentos sociais, podemos construir alicerces fortes e seguros para evitar retrocessos, manter o rumo progressista do governo e melhorar a vida do povo.

Nivaldo Santana, Secretário Sindical Nacional do PCdoB e secretário de Relações Internacionais da CTB

 

 

 

 

 

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2 comentários

  1. Jose de Deus comentou:

    É preciso popularisar as canditaturas, colocando pequenos lideres no seu campo de atuação ou seja pescadores de votos, air vamos vê surgir lider quê não se imaginava.

  2. Antonio Bomfim Moreira comentou:

    Os Comunistas precisam acrescentar taticamente suas opiniões sobre o novo projeto de desenvolvimento e reindustrialização para o Brasil e suas cidades. É correto defender a Frente Ampla com o objetivo de fortalecer o campo progressista no país. Nossa estratégia é para fazer crescer o PCDOB elegendo os melhores filhos e filhas do povo para representar as nossas ideias. Ad summus sempre!!!#65FOGONABOMBAGORAELULA

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