
A guerra de Trump contra o Irã impactou a economia e os salários dos trabalhadores desde janeiro de 2025. Foto: Supermercado na Califórnia, pxhere.
Por Mark Gruenberg
Impulsionada por um enorme aumento — superior a 40% — no preço da gasolina, a guerra de Donald Trump contra o Irã eliminou todo o crescimento dos salários por hora dos trabalhadores ocorrido desde que ele retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025.
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Naquele mês, um trabalhador médio não supervisor recebia US$ 37,53 por hora, em valores ajustados pela inflação, observou o Economic Policy Institute (EPI). Esse salário subiu para US$ 38,51 em fevereiro deste ano. Trump, aliado do também direitista primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, iniciou a guerra em 28 de fevereiro. E os salários médios por hora começaram imediatamente a cair, mostra um gráfico do EPI, baseado no Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de maio divulgado pelo Departamento do Trabalho, em 15 de junho. No mês passado, o salário médio por hora havia retornado a US$ 37,53.
“A guerra impôs custos desastrosos — tanto econômicos quanto humanitários — em todo o mundo”, escreveu Ben Zipperer, do EPI. “Os Estados Unidos ficaram mais protegidos desses custos do que a maioria dos outros países, mas, mesmo aqui, eles são extremamente elevados. O efeito da guerra ao elevar os preços da energia nos EUA apagou todos os ganhos reais (ajustados pela inflação) que os trabalhadores haviam obtido durante o segundo mandato de Trump.”
Zipperer pode, na verdade, estar subestimando a situação. Uma análise dos componentes da “cesta de mercado”, utilizada pelo Departamento do Trabalho para calcular o CPI confirma o que qualquer pessoa que abastece o carro já percebeu: o preço da gasolina disparou.
Sem ajuste sazonal, o preço da gasolina aumentou 40,5% em todo o país entre maio de 2025 e maio de 2026. Mais da metade desse aumento (21,3%) ocorreu somente em março de 2026, logo após o início da guerra.
O óleo para aquecimento apresentou uma alta ainda maior. Sem ajuste sazonal, seu preço subiu 58,9% entre maio de 2025 e maio de 2026. A maior parte desse aumento também ocorreu em fevereiro (11,1%) e março (30,7%) deste ano.
No conjunto, a inflação acumulada nos últimos 12 meses — de maio de 2025 a maio de 2026 — foi de 4,2%, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS).
A gasolina representa 4,1% da cesta de consumo utilizada pelo BLS para calcular a inflação, cerca da metade da participação dos alimentos (8,2%). Ambos ficam muito abaixo da categoria habitação (35%), que inclui 25% referentes a hipotecas e outros custos de aquisição da casa própria, além de 7% relativos aos aluguéis.
“A súbita aceleração da inflação, combinada com a desaceleração do crescimento dos salários nominais, significa que o salário real médio por hora dos trabalhadores do setor privado agora não é maior do que era em janeiro de 2025”, concluiu Zipperer.
“Até agora, a inflação excessiva tem se limitado aos preços da energia e das passagens aéreas. Mas, enquanto a guerra continuar, existe um risco elevado de que os aumentos de preços se espalhem para o restante da economia, desencadeando um aumento mais permanente do custo de vida e novas reduções nos rendimentos reais dos trabalhadores”, alertou ele.
Todos esses dados vieram à tona depois que o Roosevelt Institute, organização progressista e apartidária sediada em Nova York, divulgou uma pesquisa sobre as percepções da população em relação à economia. A conclusão é clara: as pessoas estão insatisfeitas, e a culpa recai sobre os políticos que defendem seus próprios interesses e sobre as corporações preocupadas apenas com seus lucros.
“Quase oito em cada dez pessoas estão preocupadas com sua situação financeira, seja com as condições atuais, seja com sua capacidade de economizar para o futuro”, afirma a pesquisa. “Apenas 18% dos entrevistados disseram que não precisaram reduzir gastos ou fazer sacrifícios financeiros nos últimos dois anos. Mais da metade afirma não ter condições de se aposentar com conforto; quase metade diz não conseguir se livrar das dívidas de consumo; e 40% afirmam que não ganham o suficiente para cobrir as despesas do dia a dia e ainda manter uma reserva para enfrentar imprevistos.
“Essas pressões também refletem um problema de poder. Quando perguntados sobre o que mais impede o governo de proporcionar uma vida digna à população, 50% dos entrevistados apontaram os políticos que cuidam de seus próprios interesses, em vez dos interesses das pessoas que representam, enquanto 39% afirmaram que o sistema é manipulado em favor das grandes corporações e dos mais ricos.”
O premiado jornalista Mark Gruenberg é chefe da sucursal de Washington do People’s World.
Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy
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