O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed RN), Dr. Geraldo Ferreira, criticou as terceirizações durante visita ao Hospital Tarcísio Maia.
A visita ocorreu no sábado, 31 de outubro, em Mossoró, e encerrou a programação do Mês do Médico, marcada por diversas atividades sindicais realizadas.
Durante a inspeção, Geraldo Ferreira constatou que o hospital possui poucos profissionais concursados e depende de empresas terceirizadas para manter os atendimentos médicos na unidade.
Além disso, o dirigente denunciou que as empresas reduzem os valores dos plantões, enquanto as licitações priorizam cortes de custos em detrimento da qualidade assistencial.
Segundo relatos recebidos pelo sindicato, uma especialidade apresentou escala mensal com o mesmo médico durante 30 dias consecutivos, situação considerada absurda e preocupante pelos profissionais.
O presidente também destacou problemas como ausência de direitos trabalhistas, assédio moral, redução salarial e atrasos nos pagamentos que ultrapassam quatro meses em determinadas situações.
Reforma representa avanço, mas problemas continuam
Por outro lado, Geraldo Ferreira reconheceu melhorias na observação feminina, que substituiu uma enfermaria com quase 30 pacientes por espaços menores, com quatro pacientes.
A mudança representa um avanço nas condições de atendimento e proporciona maior dignidade às mulheres internadas, embora outros setores ainda enfrentem problemas estruturais graves.
Entretanto, a enfermaria masculina permanece superlotada e aguarda reformas semelhantes, enquanto profissionais e pacientes convivem com dificuldades que comprometem a qualidade dos serviços hospitalares.
Terceirizações reduzem valores dos plantões médicos
Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), uma nova empresa assumiu os contratos e reduziu novamente os valores pagos pelos plantões, provocando insatisfação entre profissionais experientes.
Consequentemente, alguns médicos recusaram as novas condições, mas a disponibilidade de recém-formados em busca de oportunidades permite às empresas manter as escalas de trabalho.
Para o dirigente sindical, esse modelo prejudica médicos e pacientes, favorece empresas terceirizadas e amplia a mercantilização da medicina, comprometendo direitos e qualidade assistencial hospitalar.
Sinmed RN defende alternativa para hospitais regionais
Ao comentar possíveis soluções, Geraldo Ferreira defendeu uma mudança no modelo de gestão hospitalar, com maior participação pública e valorização dos profissionais da saúde estadual.
“Uma empresa pública que gerenciasse os hospitais regionais do Estado traria alguma possibilidade de melhoria, e substituiria essas terceirizações lamentáveis”, afirmou o presidente do Sinmed RN.
A entidade reforça, assim, a necessidade de combater a precarização do trabalho médico, garantir condições dignas aos profissionais e assegurar atendimento de qualidade à população.
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