PUBLICADO EM 24 de out de 2026

Acesso gratuito à cultura é prioridade para 42% dos brasileiros, aponta pesquisa

Levantamento revela que custos, insegurança e falta de espaços culturais dificultam a participação da população em atividades presenciais

Cultura do congado em Lafaiete-MG

 

Ampliar o acesso gratuito a shows, filmes, espetáculos e exposições é a principal demanda dos brasileiros para as políticas públicas de cultura. Segundo a 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, 42% dos entrevistados consideram que essa deve ser uma prioridade dos próximos governantes.

O levantamento evidencia desigualdades no acesso às atividades culturais. Enquanto 63% das pessoas das classes A e B foram ao cinema nos últimos 12 meses, o percentual entre as classes D e E foi de apenas 18% — uma diferença de 45 pontos percentuais.

Considerando o conjunto das atividades culturais presenciais pesquisadas, a participação alcançou 97% nas classes A e B e 82% nas classes D e E. Além disso, 33% dos entrevistados afirmaram que não há equipamentos culturais na região onde vivem.

Para a coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, as diferenças refletem obstáculos sociais e econômicos, e não menor interesse pela cultura entre as pessoas de baixa renda ou com menor escolaridade.

“Existem barreiras que vão além da subjetividade individual ou mesmo do gosto pessoal que interferem diretamente nesse acesso”, afirma.

População cobra espaços e incentivo à produção cultural

Além da gratuidade, 32% dos entrevistados defendem a criação de mais equipamentos e instituições públicas de cultura, como museus, teatros e cinemas. A melhoria, reforma, ampliação ou modernização dos espaços existentes foi mencionada por 28%.

O financiamento e o incentivo à produção cultural independente aparecem entre as prioridades de 26% dos participantes. Outros 22% pedem apoio a iniciativas em favelas, periferias e comunidades tradicionais, enquanto 21% apontam a valorização e a formação de artistas e profissionais do setor.

Embora o acesso à cultura seja um direito garantido pela Constituição Federal, 32% dos entrevistados disseram desconhecer essa garantia. Outros 27% afirmaram não saber o que significa ter direito à cultura.

Segundo Cardoso, os resultados reforçam a necessidade de ampliar a oferta de atividades gratuitas e o conhecimento da população sobre os direitos culturais.

Preço e insegurança afastam o público

Os gastos com ingressos e deslocamento são o principal obstáculo à participação em atividades culturais presenciais, apontado por 35% dos entrevistados. Entre aqueles que declararam despesas com essas atividades, 46% gastam até R$ 100 por mês.

Outros 14% desembolsam entre R$ 101 e R$ 150 mensais; 15%, entre R$ 151 e R$ 200; e 8% informam gastos superiores a R$ 400.

A insegurança e a violência aparecem em segundo lugar entre os fatores que desestimulam a participação, com 30% das menções. Também foram citados a disponibilidade de horário (23%), o cansaço e o desânimo (21%), a distância dos eventos (19%), a lotação (19%) e a falta de transporte (16%).

Nas questões relacionadas à segurança, 47% apontaram medo de assaltos ou furtos na região dos eventos, 43% mencionaram falta de policiamento nas proximidades e 29% citaram riscos durante o trajeto.

Preocupação com violência contra mulheres cresce

A violência contra as mulheres e o assédio nos espaços culturais foram mencionados por 27% dos entrevistados, avanço de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, quando o índice era de 21%.

A preocupação é maior entre as mulheres: 38% citaram o problema, diante de 14% dos homens.

Sobre o levantamento

A 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais ouviu 2.448 pessoas, por meio de entrevistas presenciais e individuais, em 137 municípios de todas as regiões brasileiras. Participaram homens e mulheres de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E. As entrevistas foram realizadas entre 7 e 20 de julho de 2026.

Leia também:

Arte de rua em Sampa; São Paulo tem street art

Arte de rua em Sampa; São Paulo tem street art

ENVIE SEUS COMENTÁRIOS



COLUNISTAS

QUENTINHAS