A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania realizou, nesta quinta-feira (2), em Brasília, a 7ª Sessão Plenária Especial para analisar requerimentos coletivos de reparação política.
Entre os processos apreciados, o colegiado analisou os pedidos apresentados pelo povo indígena Ãwa/Avá-Canoeiro do Araguaia e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo e Mogi das Cruzes.
A Comissão declarou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes anistiado, pediu desculpas em nome do Estado Brasileiro pelas atrocidades cometidas pela ditadura (1964-1985) e agradeceu a entidade pelas lutas de resistência que contribuíram para a redemocratização do País.
Durante a sessão, o dirigente sindical Geraldino dos Santos Silva elogiou o relatório apresentado à Comissão de Anistia e afirmou que o documento retratou fielmente a repressão sofrida pela entidade durante a ditadura militar.
“Quero te parabenizar pelo relatório. Em pouco tempo, você externou o que foi a ditadura militar para esse sindicato que eu estou aqui representando”, declarou Geraldino ao iniciar sua manifestação.

Sindicalistas participaram da 7ª Sessão Plenária Especial da Comissão de Anistia, realizada em Brasília, que analisou o pedido coletivo de anistia política da entidade em reconhecimento às perseguições sofridas durante a ditadura militar (Da esquerda para a direita: Ubiracy Dantas, Marcos Perioto, Geraldino dos Santos Silva, João Moisés e Juruna)
Repressão atingia trabalhadores
Na sequência, ele relembrou sua chegada a São Paulo, em 1974, quando passou a vivenciar diretamente os efeitos do regime militar. Segundo ele, a repressão atingia diariamente os trabalhadores.
“A polícia pegava as pessoas na rua, queria ver a carteira profissional. Se a pessoa estivesse desempregada, já era considerada suspeita”, recordou o dirigente ao descrever o clima de perseguição vivido naquele período.
Geraldino destacou que o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo exerceu papel estratégico na resistência democrática. Segundo ele, a entidade reuniu diferentes organizações sindicais e fortaleceu a luta contra o autoritarismo.
“Esse sindicato era um ponto de apoio. Era aqui que muitos companheiros se reuniam para organizar a resistência”, afirmou durante seu depoimento à Comissão de Anistia.
Militância política e sindical
O dirigente também relembrou a clandestinidade da militância política e sindical. Ele explicou que as reuniões mudavam constantemente de local para evitar a vigilância do DOPS.
“A gente nunca marcava a reunião no mesmo lugar. Era uma forma de escapar da repressão” – Geraldino dos Santos Silva
Além disso, lembrou que agentes infiltrados monitoravam a distribuição de jornais nas portas das fábricas.
Em outro momento, Geraldino homenageou trabalhadores presos, perseguidos e torturados pela ditadura. Segundo ele, muitos carregaram sequelas físicas e psicológicas durante toda a vida em consequência da violência estatal.
“Muitos companheiros ficaram com marcas para o resto da vida. Alguns nunca conseguiram se recuperar da tortura”, lamentou ao recordar as vítimas da repressão política.
Após a anistia, Geraldino afirmou que a mobilização sindical permaneceu ativa e fortaleceu as campanhas pelas Diretas Já, pela Constituição de 1988 e pela redemocratização.
“A luta dos trabalhadores ajudou a reconquistar a democracia, mas a democracia brasileira ainda tem uma dívida com as vítimas da ditadura”, concluiu o dirigente sindical.
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Sindicato dos Metalúrgicos de SP julgado na Comissão de Anistia



