PUBLICADO EM 25 de jul de 2026

UGT lança “Carta à Mulher Brasileira”: compromisso com a igualdade

A 'Carta à Mulher Brasileira' foi lançada pela UGT para promover igualdade de oportunidades e combater a violência de gênero.

A ‘Carta à Mulher Brasileira’ foi lançada pela UGT para promover igualdade de oportunidades e combater a violência de gênero.

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) lançou, nesta sexta-feira (24), a cartilha “Carta à Mulher Brasileira”, publicação elaborada pelo Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sindbast). O evento foi realizado de forma híbrida, com participação presencial e virtual de dirigentes sindicais de todo o País, e reafirmou o compromisso histórico da Central com a defesa dos direitos das mulheres, da igualdade de oportunidades e do combate à violência de gênero.

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A cerimônia foi conduzida pelo presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, e reuniu lideranças sindicais e representantes de diversas instituições. Participaram da solenidade a secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy Viana; a vice-presidente da UGT, Cleonice Caetano; o secretário-geral da Central, Canindé Pegado; a secretária da Mulher da UGT, Maria Edna Medeiros; e a jornalista Gislene Rosa, responsável pela elaboração da cartilha.

A publicação foi produzida em um momento de crescente preocupação com o avanço da violência contra as mulheres e com a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais. O material reúne dados sobre feminicídio, violência de gênero, desigualdade, influência da chamada machosfera e direitos das mulheres, com o objetivo de ampliar o debate público e oferecer informação como instrumento de prevenção, conscientização e fortalecimento da cidadania.

Segundo dados apresentados na cartilha, o Brasil registrou cerca de 1.470 feminicídios em 2025, o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia. Em mais de 64% dos casos, o crime ocorreu dentro da residência da vítima e, em aproximadamente 80%, o agressor era o companheiro ou ex-companheiro.

Outro tema abordado é o crescimento da chamada machosfera — comunidades digitais que difundem conteúdos misóginos e defendem relações marcadas pelo controle sobre as mulheres. A publicação reúne estudos que apontam a expansão desses discursos, especialmente entre adolescentes e jovens, impulsionados pelas redes sociais.

Durante o lançamento, os participantes destacaram que a cartilha é uma ferramenta de orientação e conscientização, reunindo informações sobre direitos, enfrentamento à violência de gênero, participação política e cidadania. O material também ressalta a importância da atuação do movimento sindical na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, seguros e livres de qualquer forma de discriminação.

Para Ricardo Patah, o enfrentamento da violência contra as mulheres deve ser tratado como uma pauta permanente de direitos humanos e justiça social.

“Defender os trabalhadores é, acima de tudo, defender pessoas. Não existe justiça social enquanto mulheres viverem com medo dentro de casa, no trabalho ou nas ruas. Combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade.”

Idealizador do projeto, o vice-presidente nacional da UGT e presidente do Sindbast, Enilson Simões de Moura, afirmou que a iniciativa traduz o compromisso histórico do movimento sindical com a defesa da dignidade humana.

“Diante do crescimento da violência contra as mulheres e da desinformação nas redes sociais, entendemos que era nosso dever contribuir com informação de qualidade. Esta cartilha é um convite ao diálogo, ao respeito e à construção de uma sociedade mais justa.”

Segundo a diretora social do Sindbast, Nilda Vasconcellos, a publicação nasceu das discussões promovidas pelas próprias trabalhadoras da entidade.

“O projeto surgiu das reflexões das mulheres do Sindbast sobre uma realidade que precisa ser enfrentada. A proposta foi acolhida pelo nosso presidente, Enilson Simões, e pelo presidente da UGT, Ricardo Patah, que compreenderam a importância de transformar essa preocupação em uma ação concreta de conscientização para trabalhadores, famílias e toda a sociedade.”

Ao longo de seus capítulos, a cartilha trata de temas como violência doméstica e psicológica, igualdade de gênero, masculinidade, influência das redes sociais, retrocessos nos direitos das mulheres e os impactos da desinformação na construção de relações abusivas. Como serviço à população, reúne ainda informações sobre os principais canais de denúncia e acolhimento, entre eles a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), a Polícia Militar (190), o Disque 100 e as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

O conteúdo foi elaborado com base em estudos e pesquisas de instituições como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONU Mulheres, UNESCO, UNICEF, Instituto Avon, Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES Brasil), Datafolha e NetLab da UFRJ, entre outras referências nacionais e internacionais.

Com o lançamento da “Carta à Mulher Brasileira”, a UGT reafirma um compromisso presente desde sua fundação: promover a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, combater todas as formas de violência e discriminação e fortalecer a participação feminina nos espaços de decisão, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

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